Washington, 28 (AE) - Depois de semanas de negociações, os ministros das finanças da União Européia (UE) endossaram hoje o nome do vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, para suceder o francês Michel Camdessus na direção geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Poucas horas mais tarde, no entanto, o governo dos Estados Unidos, que tem poder de veto sobre a decisão, tornou pública sua oposição a Koch-Weser, um economista de 55 anos, nascido no Brasil e que fez carreira no Banco Mundial, onde chegou a vice-presidente senior.
A decisão norte-americana, que já havia sido diplomaticamente expressa mais de uma vez pelo secretário do Tesouro, Larry Summers, foi comunicada pelo presidente Bill Clinton ao primeiro-ministro da Alemanha, Gerhard Schroeder, num telefonema
no sábado.
Na conversa, Clinton "enfatizou a importância da posição do diretor geral do FMI e a necessidade de um candidato forte, com o máximo de estatura, capaz de receber amplo apoio ao redor do mundo", informou o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhard.
"Nesse contexto, o presidente disse ao chanceler Schroeder que os Estados Unidos não estão preparados para apoiar o candidato alemão (pois) não acreditamos que ele preenche esse critério", disse.
Lockhard indicou que Washington não contestará a tradição de manter um europeu o comando do FMI. "Nosso objetivo continua a ser o de trabalhar com a Europa para encontrar um forte candidato europeu capaz de receber amplo apoio, inclusive dos países emergentes", disse ele.
Mas o gesto americano travou o processo de escolha do sucessor de Camdessus e tornou seu desfecho imprevisível. Além de Koch-Weser, há dois outros candidatos: o ex-vice-ministro das Finanças do Japão, Eisuke Sakakibara, que tem apoio da ásia, mas não da China, e o atual diretor geral interino, americano Stanley Fischer, que nasceu em Zambia e foi lançado por vinte países africanos.
Apesar da origem brasileira de Koch-Weser, "o governo brasileiro não assumiu nem pretende assumir uma posição pública de apoio a qualquer candidato", disse ontem ao Estado um alto funcionário do ministério da Fazenda. Segundo a fonte, essa postura não contradiz declaração feita na sexta-feira pelo secretário-executivo, Amaury Bier, antes da formalização do apoio europeu a Koch-Weser e de sua rejeição pública pelos EUA, segundo a qual "a tradição do Brasil é apoiar o consenso europeu".
No entender de Brasília, à medida em que os EUA e o Japão, que são os dois maiores acionistas do FMI, opuserem-se ao nome apresentado pela Europa, o candidato do consenso europeu não é viável e não cabe ao Brasil assumir uma posição, porque nada tem a ganhar com isso. "Não representamos apenas a nós mesmos da diretoria executiva do FMI, mas falamos por outros sete países e precisamos refletir a posição de todos eles", disse o funcionário.
"Além disso, temos um acordo em curso com o FMI e reconhecemos que estamos, diante de um processo extremamente complexo e divisivo, cujo desfecho não depende neste momento de nós", acrescentou. De fato, o poder de voto da cadeira do Brasil no "board", de 2,49%, limita o impacto de uma posição que o País possa assumir em favor deste ou daquele candidato.
O governo já havia adotado essa postura em dezembro passado, em reunião de consulta com outros países latino-americanos, como o México e do Chile, que de colocaram desde o início contra a candidatura de Koch-Weser.

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