Washington, 09 (AE) - Nos últimos 20 dias o debate sobre a violência nas escolas já provocou um duelo verbal entre dois astros de Hollywood, desencadeou uma guerra de informação, e ressucitou o fantasma de Adolph Hitler.
Mas também provocou tamanha reação na opinião pública americana que deve levar a um maior controle sobre o acesso de menores a armas e sites instigando o ódio na Internet.
O ator Charles Heston - que nas telas foi Moises, Ben-Hur e Michelangelo - para a maior parte da opinião pública americana está agora interpretando o papel do bandido. Como presidente da National Rifle Association (NRA), ele fala em nome de três milhões de americanos e de um poderoso lobby industrial, que quer reduzir ainda mais as poucas restrições ao comércio de armas.
O argumento mais usado por Heston é a segunda emenda da Constituição, que garante aos americanos a liberdade de se armarem para se defenderem. Na época em que o texto foi redigido, existia o perigo de os ingleses tentarem reconquistar suas colônias no Novo Mundo. Mas o NRA insiste que os riscos do passado não foram superados: hoje os cidadãos americanos também precisam se defender contra novas ameaças, como assaltos, sequestros, estupros e até tirotéios em lugares públicos.
Se o presidente Bill Clinton lembrou de Hitler para explicar ao povo americano seus motivos para bombardear a Iugoslávia (impedir o genocídio dos albaneses do Kosovo), Heston usou a imagem do mesmo ditador (cujo aniversário coincidiu com o massacre de Littleton) para criticar os críticos do NRA. Segundo ele, assim como Hitler culpou os judeus por todos os males, hoje todos responsabilizam os "inocentes donos de armas" por toda a violência na sociedade. Heston também disparou suas críticas contra a atriz Barbara Streisand, que produziu um filme sobre uma história verdadeira, de um homem que atirou contra os passageiros de um trem, matando cinco. O filme foi transmitido pela televisão há poucos dias e Heston acusou Hollywood de explorar a tragédia humana e influenciar a opinião pública contra os fabricantes de armas.
Streisand respondeu que defendia o direito de os americanos comprarem armas para caçar e proteger suas própria vidas. "Mas você não precisa de um AK47 para matar animais, nem de uma Uzi para se defender", acrescentou.
Alguns fabricantes de armas demonstraram, nos últimos dois dias, que estão dispostos a fazer algumas concessões e adotar uma linha menos dura em defesa das liberdades constitucionais. Os representantes de duas indústrias em princípio disseram que estão dispostos a aceitar algumas propostas que Clinton discutirá amanhã na Casa Branca, para melhorar a segurança nas escolas.
As cinco propostas "aceitáveis" são: aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para que alguém possa comprar uma pistola; responsabilizar perante a justiça os pais cujos filhos menores tem acesso a armas; e examinar o passado dos compradores de armamentos, antes de realizar qualquer venda.
Outras 15 empresas, responsáveis por 95% do tráfico da Internet, também demonstraram a sua disposição de abrir mão de outra liberdade constitucional: a de expressão. Prometeram criar, até julho, mecanismos permitindo aos pais controlar o acesso de seus filhos a sites pornográficos ou que pregam o ódio e a violência.

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