Casa ambulante leva cursos a mulheres
Marcos Zanatta
De Maringá
Provopar de Maringá montou em uma carreta uma residência de classe média com cômodos, móveis e eletrodomésticos
A Casa Itinerante, projeto do Provopar de Maringá que leva o curso de auxiliar de serviços domésticos para moradoras de bairros, despertou o interesse da secretária da Criança e Assuntos da Família do Paraná, Fani Lerner. Quando esteve em Maringá, no final de agosto, ela conheceu o projeto e levou para Curitiba cópias dos trabalhos já realizados.
A idéia é simples mas inovadora, diz a presidente do Provopar de Maringá, Neusa Gianoto. Com ajuda da iniciativa privada, a prefeitura montou uma casa completa sobre uma carreta. Em pouco mais de um ano, a casa já formou quase 500 mulheres, a maior parte já trabalhando.
A casa tem todos os cômodos e equipamentos de uma residência normal de classe média. Além de aprender a rotina do serviço, inclusive operar os equipamentos de forma a economizar energia e água, as alunas passam por outros cursos. Ensinamos economia doméstica, nutrição, higiene pessoal, prevenção de acidentes e primeiros socorros, explica a instrutora Wanda Pichorin. Quando é preciso, as alunas passam também por psicólogas.
A casa ficou um semestre no Conjunto Santa Felicidade, atendendo todos os bairros vizinhos. Quase 150 mulheres passaram pelo curso. Uma das exigências é que a candidata seja alfabetizada ou frequente algum curso de alfabetização. Algumas já abriram negócio próprio, diz Wanda.
Um grupo de três vizinhas iniciou uma pequena produção de bolos, doces e salgados. Mas a grande maioria partiu para empregos em casas particulares. Nós procuramos acompanhar o trabalho delas, e as patroas elogiam muito o desempenho no serviço, se orgulha Wanda. A Casa Itinerante está desde o início do ano no Conjunto Requião, onde já formou mais de 350 domésticas.
A diariasta Amélia Maria Ferraz, que mora no Conjunto Guaiapó, conta que conseguiu serviço depois de passar pelo curso do Provopar. Quando entrei no curso estava desempregada, e aqui além da gente aprender é uma referência para quem procura empregada, explica.
A dona de casa Odila Neves Carneiro, do Conjunto Requião, diz que estava ficando doente porque não trabalhava. Depois do curso ela encontrou emprego como passadeira e considera que está se especializando no serviço. Mas se aparecer qualquer outro serviço eu sei fazer, garante.
Em média, segundo Wanda, as mulheres que saem da casa com emprego conseguem um salário entre R$ 180,00 e R$ 200,00.





