Carvalho destaca corrida para a aposentadoria
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, confirmou ontem em Curitiba que está havendo uma corrida às aposentadorias por parte dos juízes, por causa da reforma da Previdência. Segundo ele, isto é ruim para a Justiça e pior para os brasileiros, que vão sentir os efeitos no atendimento judiciário. A principal insatisfação dos juízes é em relação ao pagamento da aposentadoria integral ameaçada pela reforma da Previdência.
Em São Paulo, o Judiciário está registrando em média duas aposentadorias por dia, enquanto nos dois anos anteriores foram registrados 200 pedidos. Segundo o presidente da AMB, a dificuldade será sentida pela população porque em São Paulo, por exemplo, existem cerca de 300 vagas abertas para juízes e a procura pelos concursos também diminuiu. No Rio de Janeiro, também há 100 vagas abertas e de um ano para cá pelo menos 45 pessoas se aposentaram.
Em todo o Brasil são 10 mil magistrados em atividade e 3 mil aposentados. Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho reclama que os militares ficaram de fora da reforma da Previdência, numa forma de reconhecimento das peculiaridades da função. Ele defende que os direitos e deveres da magistratura também devem ser regidos por lei própria, alegando que os juízes não recebem horas extras e é comum trabalharem além do horário e ainda que estão impedidos de exercer outras funções senão a de professor.
Ribeiro de Carvalho diz que os magistrados não são contra a reforma, mas que contribuem com uma alíquota sobre o total de vencimentos e por isso querem aposentadoria integral, assim como todos os outros servidores públicos. Nós estamos sendo usados como bodes expiatórios para os problemas estruturais da Previdência que se devem na verdade à corrupção, sonegação e desperdício de recursos públicos, enfatiza. (M.K.)





