Brasília, 08 (AE) - O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Clóvis Carvalho disse hoje que deixa o ministério "sem nenhuma mágoa" e elogiou a indicação do ex-presidente do Grupo Camargo Corrêa Alcides Tápias para ocupar o lugar dele. As declarações foram feitas quando Carvalho deixava o Ministério do Desevolvimento, Indústria e Comércio Exterior, onde passou todo o dia de hoje para retirar os pertences do gabinete e se reunir com os ex-assessores.
"Alcides é um servidor e será um servidor público, mais do que nunca, apreciado por todo o Brasil", disse o ex-ministro. "Ele tem muita contribuição a dar e a experiência de vida dele foi sempre muito construtiva." Carvalho não quis comentar se a saída do ministério se deu pelo fato de ser um desenvolvimentista. Ele limitou-se a dizer que "isso é coisa do passado".
A exoneração de Carvalho foi publicada hoje no "Diário Oficial" da União (DOU). Além de ter esvaziado as gavetas e se despedido de amigos e colaboradores, Carvalho retornou a Brasília para terminar um tratamento dentário.
Chegando ao aeroporto, em vôo de carreira procedente de São Paulo, seguiu junto, com o secretário-executivo do ministério, Milton Seligman, diretamente para o gabinete.
"Ex-ministro não fala, não dá entrevistas", comentou com os auxiliares. "Agora, só falo com amigos", insistiu Carvalho.
Já no gabinete, enquanto picotava papéis e despachava assuntos pendentes com Seligman, o ex-ministro recebia telefonemas de solidariedade de amigos, como os ex-ministros Gustavo Krause e Paulo Paiva, e de ex-auxiliares do Palácio do Planalto. Recebeu a visita do ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, que teceu elogios ao colega de seis anos na equipe de Fernando Henrique. "O Clóvis é um homem público de raras qualidades e de inquestionável lealdade ao governo a qual serviu", disse o ministro, ao deixar o ministério.
O almoço ocorreu numa sala reservada do ministério, oferecido por colegas de equipe, até mesmo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Andrea Calabi, que veio do Rio para as despedidas.
"Estou feliz de poder voltar prá casa e cuidar da minha vida", disse, repetidas vezes. Os mais íntimos disseram: "Fizeram uma injustiça com ele."

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