São Paulo, 07 (AE) - Após dois anos e meio vivendo o drama de ter os dois filhos sequestrados pelo próprio marido e levados para o Líbano, a dona de casa Vagna Aparecida Bandeira Abbas, de 34 anos, conseguiu hoje sua primeira vitória na Justiça. O cartório que reconheceu como legítima a assinatura de Vagna em documento no qual ela autorizava as crianças a viajar para o exterior sem sua presença foi condenado, em primeira instância, a pagar-lhe R$ 1 milhão de indenização por danos morais.
"Além de reconhecer a assinatura de Vagna, o cartório pôs o selo de autenticidade no documento, sem que ela nunca tenha entrado no local", informa sua advogada, Vera Inocêncio Betetto Scansani. "Portanto, nunca reconheceu firma nenhuma no cartório."
A sentença foi dada hoje pela juíza da 40.ª Vara Cível da capital, Renata Soubhie Nogueira Borio. O 25.º Tabelionato de Notas Milani da capital, que sofreu a ação de responsabilidade civil, vai recorrer. De acordo com o responsável pelo cartório, que não quis ser identificado, o marido da dona de casa, o engenheiro Atef Said Abbas, de 39 anos, foi ao cartório acompanhado de uma mulher, que ele apresentou como sendo Vagna e portava documentos falsos.
Apesar da vitória, a advogada informa que vai recorrer da decisão. "Pedimos R$ 3 milhões, pois Vagna vai precisar de dinheiro, quando recuperar os filhos, para pagar estudos e tratamentos psicológicos das crianças, que hoje só falam árabe e francês e não reconhecem mais a mãe", completa Vera.
O drama da dona de casa começou em 13 de junho de 1997. Inconformado com o pedido de separação, Abbas disse que iria com os filhos Bilal Atef Abbas, de 5 anos, e Hamze Atef Abbas, de 3, até a farmácia e nunca mais voltou. Até hoje, Vagna tenta recuperar as crianças.
Frustração - Em 1998 ela foi ao Líbano, na esperança de reaver os filhos. Chegou a fazer greve de fome por 15 dias, na sede da Embaixada do Brasil naquele país. Só conseguiu, porém, passar algumas horas com as crianças, que não a reconheceram, na companhia de parentes do marido.

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