São Paulo, 29 (AE) - O comissário da NBA, David Stern, que participou hoje de uma teleconferência com jornalistas brasileiros, está confiante de que a liga norte-americana de basquete tem força suficiente para reparar os danos causados pelo locaute que, durante sete meses, manteve os jogadores afastados das quadras dos Estados Unidos e dos fãs de todo o mundo. A greve de paträes atrasou o início da temporada, agora marcado para sexta- feira, depois que um novo acordo coletivo de trabalho foi assinado. Stern, que estava em Nova York, conversou com os representantes da imprensa brasileira com auxílio da assessoria da NBA para a América Latina, que tem escritório em Miami.
O comissário disse que ainda não tem os números exatos sobre o prejuízo causado pela perda de 40% da temporada, que deveria ter começado em novembro. Mas afirmou que o resultado final das negociaçäes entre paträes e o sindicato de jogadores, que provocou o rebaixamento dos salários, vai trazer lucros no futuro. "As perdas da temporada podem ser recuperadas nos próximos dois ou três anos", disse Stern. "O dano ocasionado pode ser considerado positivo porque, em troca, conseguimos um acordo coletivo sólido, que vai valorizar o nosso produto."
Pelo acordo, o teto salarial dos jogadores não pode ultrapassar o percentual de 55% da receita bruta da liga por temporada. Mesmo assim, Stern assegura que a NBA continuará pagando a melhor média de salários (US$ 5 milhäes, nos próximos três anos) de todos os esportes norte-americanos. O acordo salarial vale por sete anos e, embora possa haver renegociação, Stern acredita que a liga não enfrentará outro locaute tão cedo. Pelo que o comissário explicou, a organização da temporada está atrasada por causa do locaute. Saber quanto vai render uma temporada reduzida ainda depende de venda de ingressos, acertos com patrocinadores e tevê (NBC e TNT).
Novo Jordan? Stern foi evasivo sobre o candidato a novo astro máximo da liga no lugar de Michael Jordan, que decidiu deixar a NBA e o Chicago Bulls. "Quando um time começa a vencer, seus jogadores ganham destaque." Afirmou que a liga sempre teve grandes estrelas em cada época, citando Larry Bird, hoje técnico do Indiana Pacers, e Magic Jonhson, que atuou pelos Lakers e deixou as quadras quando contraiu o vírus da aids. Foi citando nomes de destaque na liga, como Shaquille ONeal, Tim Duncam, David Robinson, Charles Barkley, Hakeem Olajuwon, Allen Iverson e Kobe Bryant. "Cada um dos 29 times tem uma ou duas estrelas." Os times mais fortes da temporada, na sua opinião, serão o Indiana Pacers, pela Conferência do Leste, o Los Angeles Lakers e o Utah Jazz, pela Conferência do Oeste.
Dream Team O vice-presidente de Operaçäes da NBA, Rod Thorn, que também é da USA Basketball, responsável pela convocação dos jogadores que representam os Estados Unidos nas olimpíadas e mundiais, não trouxe uma boa notícia para os brasileiros. O dirigente, que também participou da teleconferência de hoje, confirmou que os EUA vão levar à Copa das Américas de Porto Rico, em julho, seletiva para a Olimpíada de Sydney, uma equipe formada por jogadores da NBA. A seleção dos Estados Unidos não quer correr o risco de ficar sem uma das duas vagas que estarão em disputa no torneio para a Olimpíada de Sydney. Segundo Thorn, o time poderá ter Shaquille ONeal, do Los Angeles Lakers, e ser dirigido pelo técnico do Houston Rockets, Rudy Tomjanovich.
Em compensação, para os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, os Estados Unidos levarão um time inferior, formado por universitários e atletas integrantes da CBA, uma liga de segunda divisão. O diretor de Operaçäes ainda confirmou que a NBA tem um grande interesse no "extraordinário mercado brasileiro", tanto para divulgar a liga quanto para vender os seus produtos, mas não citou nenhum evento que os organizadores tenham a intenção de promover no País, nem uma simples exibição.

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