Cartões de débito substituem cheques na hora da compra
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sábado, 16 de outubro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 17 (AE) - A alta das tarifas bancárias, segurança e vantagens para os comerciantes têm sido responsáveis por um significativo aumento nos pagamentos eletrônicos. Os cartões de débito começam a substituir cheques e até pagamentos em dinheiro em supermercados, farmácias, cinemas, lanchonetes e parques de diversões. Até cabeleireiros começam a aceitá-los.
Os dados chamam a atenção: a média mensal de transações com cartões bancários (excluídos os de crédito) passou de 265,5 milhões, em 1997, para 307 milhões em 1998, um aumento de 15,63%
segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban). No mesmo período, a média mensal de cheques compensados caiu de 245,3 milhões para 229 milhões (-6,65%).
Para o diretor de Serviços Bancários da Febraban, Jorge Higashino, o aumento das tarifas e o maior rigor na cobrança nos últimos anos influiu na racionalização do uso do cheque, estimulando o consumidor a recorrer mais aos cartões.
A crescente automação dos bancos e a estabilidade, observa, também têm estimulado os correntistas a preferir os cartões aos cheques. Segundo Higashino, em junho de 1993 a média de saques com cartões bancários nos caixas automáticos era de US$ 15,00. Hoje, é de US$ 70 ou US$ 80, um aumento de 433% em seis anos.
Dados do Serviço de Centralização dos Bancos (Serasa) também revelam a queda do número de cheques compensados no País desde 1994. Nesse ano, eles correspondiam a 4,1 bilhões. No ano passado, foram 2,7 bilhões, uma redução de 34,15% em quatro anos.
A troca do cheque pelo cartão significa, para o varejo, maior agilidade nas vendas e garantias contra calotes, já que o banco aprova ou não o débito de imediato. Para o cliente, a vantagem é menos gasto com tarifas bancárias e facilidade no pagamento. Empresas que acoplam programas de "fidelização" do cliente a seus cartões também podem oferecer descontos e outras vantagens.
A diretora da Market System, Mary Misuno, especializada em programas de recompensa e fidelidade, observa que nos Estados Unidos qualquer rede com quatro lojas tem cartão de fidelização, porque atrai consumidores e permite comunicação sistemática com o cliente.
No Brasil , segundo ela, esse tipo de cartão também se está expandindo e deve chegar ao fim do ano com cerca de 13 milhões de clientes, 8% superior ao do mesmo período de 98.
O crescimento do uso doe cartões de débito é notado principalmente nos grandes supermercados. No Carrefour, que trabalha com o produto desde o começo da década, o diretor da área de cartões, Itamar Andreoni, observa que o volume de pagamento com cheques caiu pela metade desde então. No entanto, o crescimento foi mais notável nos últimos anos. "Hoje temos por mês cerca de 1,4 milhão de transações com cartões de débito; há quatro anos esse volume ficava em torno de 670 mil transações por mês", diz.
No Pão de Açúcar, a expansão dos cartões foi mais acentuada nos últimos três anos. Hoje, correspondem a 8% das vendas e são utilizados para uma média de gastos de R$ 40,00. Há um ano, representavam 5% das vendas.
No segmento de farmácias, a Droga Raia, com 76 lojas no Estado de São Paulo, registra uma participação dos cartões de débito nas vendas de 5,6%. Há três anos, era de 0,9%. Pela velocidade do crescimento, o gerente de Marketing da Droga Raia, André Elias Gonçalves, acredita que a rede deve chegar a uma participação próxima de 20% em dois anos.
A restrição do varejo a esse meio de pagamento é o seu custo operacional. "É um segmento em expansão muito vantajoso, mas de custo alto", diz o gerente de Meios de Pagamento do Pão de Açúcar, Aymar Giglio. O custo da operação para o supermercado varia de 2% a 2,5% do valor da transação, segundo os varejistas, e vem sendo negociado com as administradoras.
"Se o volume de vendas não é razoável, esse custo é desestimulante para o varejo, principalmente para o pequeno e médio", diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Wilson Tanaka.


