Os novos casos de mulheres grávidas que supostamente consumiram pílulas de farinha registrados fora das cidades de Mauá e Ribeirão Pires, onde surgiram as primeiras ocorrências, ainda são inconsistentes. Já há notícias de casos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Norte e no interior de São Paulo, mas em nenhum deles a vítima possui uma cartela dos lotes de teste do Microvlar.
Anteontem, uma adolescente de 19 anos afirmou que ficou grávida mesmo tomando a pílula em Avaré (268 km a oeste de São Paulo). Ela tinha uma cartela, mas a mãe dela informou que a jovem tinha a cartela do lote 180, fabricado em novembro de 1997, com validade até o ano de 2002, que não pertence aos lotes de teste.
Os novos casos não se concentram geograficamente, o que, no caso de Mauá, permitiria deduzir que mesmo uma vítima sem cartela poderia ter tomado o Microvlar de farinha. O delegado Sergio Abdalla, que investiga o caso no 11º Distrito Policial, em São Paulo, disse que tem recebido telefonemas do interior e de outros Estados. ‘‘Digo para elas se informarem, mas nenhuma delas me disse que tinha a cartela e pelo que apuramos até agora, o caso está circunscrito àquela região (Mauá e Ribeirão Pires)’’, disse. Ele acredita que é natural que apareçam muitas grávidas depois da divulgação da venda de pílulas falsas, opinião compartilhada pelo advogado José Carlos Dias, da Schering. ‘‘Vão aparecer mulheres grávidas do Brasil inteiro, teremos que separar o joio do trigo’’, disse.
O derrame de Microvlar de farinha deve ter ocorrido entre janeiro e abril, período de testes do produto. Nenhuma gravidez de vítima do produto pode ter,
portanto, mais de cinco meses. Dúvidas podem ser esclarecidas com a Schering pelo telefone 0800-551241.Arquivo FolhaPlaceboO ministro da Saúde, José Serra, visita uma das mulheres que engravidaram após consumirem a pílula de farinhaAgência Folha

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