Londrina - Cerca de 70% dos 200 carteiros de Londrina iniciaram, ontem, paralisação por tempo indeterminado. A opção é resultado do movimento nacional da categoria, que protesta pelo não-pagamento do adicional de periculosidade, negociado em dezembro passado com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Conforme o documento, assinado com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), cada carteiro receberia 30% de acréscimo sobre o salário-base (R$ 602,00) para compensar o risco de: atropelamentos, mordidas de cães, acidentes de trânsito, roubos, etc.
Segundo Rosildo de França, diretor sindical da subsede Londrina, o adicional foi pago, em caráter emergencial, nos três primeiros meses do ano enquanto uma comissão bipartide (formada por representantes da empresa e funcionários) regulamentaria o acordo. ''Faltou acompanhamento jurídico'', disse o sindicalista ao justificar a ausência de penalidade em possível descumprimento do acordo.
A greve foi deflagrada na última segunda-feira em todo País. Londrina retardou sua adesão porque na primeira assembléia, na segunda-feira à noite, a maioria dos participantes acatou a proposta da ECT de prorrogar por mais dois meses o pagamento do adicional em caráter emergencial. Quarta-feira, porém, um grupo menor de carteiros rejeitou a mesma oferta pelo prazo de 90 dias. ''Não acreditamos nas palavras da empresa. Queremos o pagamento por tempo indeterminado, independentemente da regulamentação do acordo'', explicou França.
A estimativa do movimento é que 80% a 85% dos carteiros, em 23 unidades da Federação, estejam parados. Conforme a assessoria de imprensa da ECT, somente 65% da categoria cruzou os braços no Paraná, incluindo uma pequena parte dos Operadores de Triagem e Transbordo (OTT). A ECT possui seis mil funcionários no Estado, dos quais metade é composta de carteiros. Mesmo com a postagem, transporte e triagem funcionando normalmente, cerca 70% das cartas e encomendas estão retidas. Até quarta-feira, um milhão de objetos estavam nesta situação no Estado. Serviços especiais como Sedex 10, Sedex Mundi e Coleta Expressa foram interrompidos temporariamente em nível nacional.
Quem está à espera de encomenda poderá identificar, com rapidez, seu paradeiro. Mas precisa ter o número de registro. O rastreamento pode ser feito pelo 0800-570-100 ou pela internet no site: www.correios.com.br em qualquer parte do Brasil. No Paraná, foram disponibilizadas duas linhas telefônicas extras: (41) 3310-2593 e 3310-2595.
Ontem, em Curitiba, os grevistas fizeram manifestação em frente a empresa contra a diferença entre os valores da participação nos lucros e resultados (PLR) pagos ao pessoal administrativo-operacional e aos cargos de direção e chefia. O manifesto também criticou a suspensão, em março, do pagamento do adicional de risco de 30%. Os trabalhadores aguardam posição do quadro nacional e farão assembléia hoje pela manhã para votar a continuidade ou não da greve. (Colaborou Andréa Lombardo)

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