Londrina - A Polícia Federal (PF) de Londrina prendeu ontem três pessoas envolvidas em um esquema de fornecimentos de telefones celulares e chips para criminosos. Um dos presos é carteiro. As prisões em flagrante foram feitas no final da manhã de ontem na Avenida Maringá, na Zona Oeste. Foram apreendidos nove celulares, todos embalados e com notas fiscais. Os nomes dos presos não foram divulgados para não prejudicar a sequência da investigação.
De acordo com o delegado Elvis Secco, responsável pelo caso, o carteiro agia como informante e repassava aos comparsas sua rota de entrega de correspondência e os respectivos nomes dos moradores. Com os dados, a quadrilha efetuava a compra dos aparelhos com nomes quentes, o que garantia aos criminosos mais segurança para usar o serviço telefônico, mesmo na cadeia.




O funcionário dos Correios, morador do Jardim Santo André (Zona Oeste), também forjava a assinatura dos compradores e entregava a mercadoria para os integrantes da quadrilha. De acordo com as investigações, o carteiro, que trabalha na empresa há 11 anos, recebia R$ 50 por entrega. ''Ele não tinha antecedentes criminais e pode ter se envolvido no esquema por estar endividado'', suspeita o delegado. Em média, oito aparelhos - grande parte de smarts de última geração - eram entregues por dia a quadrilha.
''Estamos muito preocupados com as consequências deste tipo de delito. Há fortes indícios de que um grande número de aparelhos era encaminhado à cadeia e outros tantos eram utilizados por criminosos fora da cadeia'', afirmou o delegado.
Segundo Secco, a investigação será aprofundada e deve identificar os criminosos que recebiam os aparelhos. Por enquanto, os federais presumem que os dois integrantes presos faziam a distribuição para várias quadrilhas. Um outro funcionário dos Correios será ouvido pelos agentes e deve testemunhar no inquérito. ''Ele teria sido convidado a participar do esquema mas se recusou'', informou o delegado.
As investigações começaram em outubro, depois que os próprios Correios informaram que o funcionário estava sob suspeita pela quantidade de entregas de aparelhos na sua rota, um fato incomum nos registros da empresa. Nove agentes foram destacados para a investigação, baseada em acompanhamentos da rotina dos envolvidos.
O trio que foi preso vai responder pelo crime de corrupção ativa e passiva, peculato e falsidade ideológica. As penas variam de um a 15 anos de reclusão.
A assessoria de comunicação dos Correios em Curitiba informou que se pronunciará sobre o caso hoje através de nota. Ontem, a assessoria adiantou apenas que a empresa tem uma equipe de segurança postal para prevenir práticas ilícitas dos funcionários.

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