Brasília, 18 (AE) - Os profissionais em segurança privada estão obrigados a partir de hoje a tirar a Carteira Nacional de Vigilante, expedida pela Polícia Federal, para trabalhar no mercado. Esse documento de identidade, lançado hoje na sede da PF, terá validade de dois anos e deverá combater a ilegalidade no setor, conforme acreditam tanto os representantes dos vigilantes quanto autoridades do governo.
"A carteira vai acabar com a clandestinidade", afirmou o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), Agílio Monteiro Filho. Ele recomenda às pessoas que contratem "empresas sérias" de segurança para evitar problemas.
O presidente da Confederação Nacional de Vigilantes, José Boaventura, estima existir 1 milhão de vigilantes clandestinos empregados, sem ter qualquer preparo. Os que frequentam cursos de formação autorizados pela PF, condição para obter a nova carteira, são apenas 600 mil. Nos cursos, é verificado se o candidato tem antecedentes criminais. O aprendiz dá 75 tiros, no treinamento, recebe instruções para combate e defesa pessoal.
Em São Paulo, diz o sindicalista, os irregulares somam 100 mil. A esses trabalhadores despreparados as empresas pagam menos. "Na média, um salário mínimo", diz Boaventura, informando que um vigilante profissional ganha de R$ 250,00 (pago em Sergipe) a R$ 540,00 (Brasília).
Criminosos - O ex-deputado Chico Vigilante adverte que, na busca de um trabalhador mais barato, o contratante pode estar correndo risco. "Muitos criminosos usam colete dizendo-se seguranças", denuncia.
Segundo ele, esses bandidos estariam participando de milícias no campo ou grupos de extermínio. O ex-deputado avisa que agora quem não tiver a carteira profissional poderá até ser preso se for pego atuando como vigilante.
Na cerimônia de lançamento do documento, o diretor-geral do DPF entregou uma das cinco primeiras carteiras distribuídas hoje ao mais antigo vigilante de Brasília, Raimundo Gonçalves Ribeiro, funcionário da Confederal Vigilância. A mulher do homenageado, Maria das Graças Ribeiro, sempre sentiu medo da profissão do marido. Eles moravam próximo a um dos prédios onde Ribeiro fazia a segurança. "Quando ouvia tiros na vizinhança, ficava nervosa, rezava e não conseguia dormir mais", conta.

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