Carteira do BB tinha R$ 34 bi em empréstimo agrícola em julho
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 23 (AE) - O Banco do Brasil, que até 31 de julho detinha, em sua carteira de crédito rural, R$ 34,218 bilhões em empréstimos, não terá como absorver impactos decorrentes da renegociação da dívida proposta pelos produtores rurais. O saldo de um possível acordo entrará no déficit do Tesouro e, como deixou claro hoje o presidente do BB, Paolo Zaghen, será arcado pelos contribuintes. "O Banco do Brasil é uma sociedade anônima de capital aberto, como pode absorver alguma coisa?", indagou Zaghen.
"Quem terá de bancar o perdão da dívida, se houver, será o Tesouro, porque isso é um problema de finanças públicas"
afirmou. "Estamos esperando para saber se haverá mudanças, mas o BB não será afetado por isso." O Banco do Brasil expediu 140 mil mandados de execução de garantias de empréstimos rurais em janeiro. A renegociação, segundo ele, está sendo tentada pelos ruralistas para dívidas que ainda não tiveram garantias executadas. Ele lembrou que 1% dos inadimplentes é formado por grandes produtores, responsáveis por metade do débito com o governo.
Para a safra deste ano (junho de 99 a junho de 2000), o banco vai liberar financiamentos de R$ 7,1 bilhões, sendo que R$ 1 bilhão até o próximo dia 31. Zaghen comentou que não há estudos para mudanças na política de concessão de empréstimos para o setor rural que, segundo ele, seguem a regulamentação bancária determinada pelo Banco Central. O nível de inadimplência da carteira é de 1,5%, "próximo ao que o mercado está trabalhando".
As afirmações do BB, no entanto, não querem dizer que haja qualquer inclinação do governo em aceitar as imposições dos ruralistas. Ao contrário, Zaghen fez questão de declarar que "o que o governo se dispõe a dar de ajuda à agricultura já foi divulgado por lei". Ele ressalta ainda que uma renegociação das prestações não pagas vai implicar num aumento do déficit do Tesouro ou na realocação de orçamento.


