Carteira do BB pode crescer R$ 1 bilhão até o fim do ano
São Paulo, 03 (AE) - O Banco do Brasil é responsável por 30% dos depósitos à vista do sistema bancário, decorrente da extensa rede de agências. O total dos recursos liberados de recolhimento vai ser destinado a operações de crédito até o fim do ano, segundo informou o diretor de controle e de relações com investidores do banco, Antônio Luiz Rios da Silva. O montante pode variar de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão.
De acordo com Silva, o banco está buscando crescer qualitativamente a sua base de clientes, ou seja, buscando as empresas (médias) e os órgãos públicos, de olho nas contas-salário. "É possível estreitar o relacionamento com esses clientes e o risco de crédito é mais adequado."
A liberação dos recursos do compulsório dos depósitos à vista beneficia o Banespa, mas numa proporção menor. De qualquer forma, o banco paulista já definiu a estratégia de emprestar mais. O alvo, no entanto, é a carteira de crédito agrícola, que deve passar de R$ 250 milhões para R$ 400 milhões até o fim do ano. O Banespa já supera o Banco do Brasil na concessão de empréstimos em São Paulo.
Na opinião de Pedro Guimarães, analista do Bozano, Simonsen, os grandes bancos privados, entretanto, vão se manter cautelosos. "A percepção de risco é grande", disse. Por isso, diz, os bancos devem comprar títulos federais em vez de emprestar recursos.
Para Bruno Pereira, do BBA Icatu, o aumento das linhas de crédito deve vir por meio de maior concorrência, incluindo a maior agressividade de redes de varejo que vem reduzindo as taxas com mais vontade. O diretor do Banco do Brasil, entretanto
não vê muito espaço para novas reduções das taxas, além daquelas já realizadas no mês passado. "Mais ajustes dependeriam de novas medidas do governo."
O diretor de produto do Unibanco, Rogério Estevão, concorda. Ele aposta na acomodação dos juros, mas acredita que novas medidas virão por aí. Algo muito esperado pelo mercado é a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), atualmente de 6% e mais reduções no compulsório. Ainda restam depositados cerca de R$10 bilhões em depósitos a prazo no BC e outros R$ 20 bilhões em depósito à vista.
A certeza de mais mudanças está fundamentada no desejo do BC de eliminar as amarras do mercado. "Somente assim, os bancos teriam maior flexibilidade para atuar", diz Estevão.





