Carteira assinada já não atrai brasileiro
Rio, 08 (AE) - A segurança de uma carteira assinada não desperta interesse dos brasileiros, que atualmente estão mais preocupados em manter seu nível de renda trabalhando na informalidade, como demonstrou a pesquisa do IBGE. É o caso de Maurício Miranda, de 31 anos, proprietário de um furgão que faz ponto do Centro do Rio de Janeiro. Ele chegou a ser dono de uma microempresa de conservação e manutenção naval, mas trocou a segurança e a empresa pelas ruas do Rio por não conseguir mais pagar a folha de pagamento e os impostos.
Miranda consegue cerca de R$ 1,7 mil por mês, cobrando R$ 3,00 por passageiro pelo trajeto do Centro ao Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. Ele não pensa em sair da informalidade e argumenta que esse é o setor que mais emprega hoje no País. "Sem os profissionais informais, a crise brasileira teria proporções muito maiores para a população", arrisca.
O chaveiro Cláudio Silva, de 26 anos, concorda e não pensa em sair do mercado informal. Ele começou como funcionário de uma loja, aprendeu o ofício, juntou dinheiro e há sete anos é dono de seu próprio ponto. Ganha entre R$ 300 e R$ 400 por semana e só paga o INSS para pora garantir o pagamento da aposentadoria. O chaveiro ressalta que já conseguiu comprar uma casa própria em Itaboraí, na região metropolitana do Rio.
O camelô Wanderson Moreira de Lima, de 23 anos, é um retrato de como se entra no mercado informal. Ele trabalhou com carteira assinada como office boy em um curso de inglês e como operador de microcomputador para uma empresa que prestava serviço para a Secretaria Estadual de Fazenda. Ao ser demitido, um ano e meio atrás, assumiu o ponto de camelô de sua mãe e agora tem mensalmente uma renda líquida de R$ 800. "Hoje consigo pagar o aluguel e manter dois carros". afirma o camelô, que mora em Laranjeiras, um bairro de classe média na Zona Sul. "Não penso em sair da informalidade".
Josinaldo Ferreira de Lima, de 29 anos, hoje exerce a função de engraxate, mas até que tentou buscar um emprego formal quando chegou ao Rio, vindo do Nordeste. A falta de escolaridade o empurrou para o mercado informal. "Eles pedem estudo até para ser gari", protesta. Lima é engraxate há 10 anos e ganha, em média, R$ 90 por semana, depois de pagar o "aluguel" semanal pela cadeira e o ponto no Centro do Rio, de R$ 20.





