São Paulo, 22 (AE) - Um cartaz afirmando que os 33 vereadores da bancada envergonham São Paulo, distribuído pelos diretórios Municipal e Regional do PT, provocou um tumulto hoje na Câmara Municipal, serviu como estopim para um contra-ataque sem precendentes dos vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido) e poderá abrir uma crise na bancada petista. Além de recorrer à Justiça cobrando indenizações por danos morais, a bancada governista promete pedir a cassação do presidente do Diretório Municipal, vereador Vicente Cândido e investigar denúncias contra o verador Arselino Tatto (PT).
Os diretórios Municipal e Regional do PT produziram 500 mil cartazes a um custo de R$ 40 mil, segundo informações oficiais, com o nome, o telefone do gabinete e a foto da maioria dos 33 parlamentares contrários ao prosseguimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e a abertura do processo de impeachment contra Pitta. O texto, impresso, diz o seguinte: "Estes vereadores envergonham São Paulo. CPI pra valer é o povo que vai fazer".
O contra-ataque dos governistas foi imediato. A vereadora Maeli Vergniano (sem partido), que está sendo processada pela Câmara sob a acusação de improbidade administrativa por utilizar o controle político que manteve sobre a Administração Regional de Pirituba em benefício próprio, aproveitou o momento e entregou à Mesa Diretora da Câmara pedido de cassação do mandato do ex-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT).
Cardozo é acusado por Maeli de ter utilizado, em benefício próprio o carro blindado, cedido pela montadora General Motors por causa das ameaças de morte que teria sofrido durante as investigações sobre a máfia dos fiscais. "Já esperava esse tipo de retaliação, que é típica de quando mexe-se com o crime organizado", disse Cardozo. De acordo com o ex-presidente da CPI dos Fiscais, o contra-ataque governista faz parte de uma estratégia para confundir a opinião pública e tentar colocar todos os vereadores numa vala comum.
O vereador Arselino Tatto, que também está na mira dos governista, disse não estar preocupado. "Se propuserem CPI contra a minha pessoa, votarei a favor", prometeu Tatto. O vereador Bruno Féder (PTB) entende que o responsável pelo Diretório Municipal do PT, Vicente Cândido, cometeu falta de decoro parlamentar por permitir a distribuição do cartaz. Miguel Colasuonno (PPB), que rasgou o cartaz assim que o acabou de ler, disse que, comprovada a autoria, o caminho seria a Justiça. "Se o PT realmente for o autor, extrapolaram todos os limites de educação parlamentar e, certamente, criaram um clima favorável para que todas as falhas passadas e recentes também sejam investigadas", disse Colasuonno. Reação imediata - Os governistas reagiram quando o primeiro cartaz surgiu no plenário da Câmara, trazido por um dos vereadores goveristas. "Gostaria de tirar a roupa de vereador, sair da Câmara e conversar de homem para homem com o responsável direto por essa covardia, afirmou o líder da bancada do PPB, vereador Paulo Frange. "Esconder-se atrás de um cartaz cor-de-rosa é fácil, mas é uma atitude covarde", completou Frange. A veradora Maria Helena (PL) foi ainda mais enfática do que Frange.
"Se o canalha que fez isso vier à tribuna, repetir essa sujeira e não provar, eu quebro o decoro parlamentar e o mando para o cemitério", prometeu Maria Helena. "Isso é arma de canalha, mas já estou com a reeleição garantida porque vou levantar uma grana muito grande por causa dos danos morais que vou cobrar na Justiça", ameçou.
O vereador Brasil Vita (PPB) preferiu não comentar o cartaz. Vita limitou-se a criticar, em plenário, o erro gramatical contido no texto do cartaz. "O correto é Diretórios Municipal e Regional, e não diretório, como escreveram", alertou. Eles erram até no português", completou. União governista - O ataque promovido pelos Diretórios Municipal e Regional do PT poderá favorecer a bancada governista, que uniu-se depois de um longo tempo esfacelada para sepultar a CPI dos Fiscais e impedir o processo de impeachment contra Pitta. Apesar dos entendimentos, não havia um ponto de coesão unânime entre os parlamentares situacionistas.
"Obrigado ao PT por providenciar o elo de ligação que faltava à bancada governista", afirmou Frange em discurso no plenário. Feder também reconheceu que o ataque gratuito e fora de hora do PT fotaleceu ainda mais o bloco da situação, que agora encontrou um objetivo em comum.
A líder do PT na Câmara, vereadora Aldaíza Sposati, disse que o cartaz não promoveu a união dos governistas. "Isso ocorreu muito antes, justamente no momento em que decretaram o fim da CPI dos Fiscais e impediram o início do processo de impeachment contra o prefeito", argumentou Aldaíza.

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