São Paulo, 17 (AE) - Um cartaz com as fotos e os nomes dos dez principais traficantes de crack de São Paulo procurados pela polícia começa a ser distribuído esta semana pelo Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc). Os cartazes serão afixados nas estações de trem e metrô, nos terminais rodoviários e nas delegacias de polícia. São criminosos com passagens pela polícia e autores de fugas dos presídios de São Paulo e outros Estados.
Para a elaboração do cartaz, os policiais especializados no combate aos vendedores de drogas reuniram informações com centenas de pequenos e médios traficantes presos nos últimos anos. Três dos dez procurados são considerados pelo Denarc como macrotraficantes: Ivanildo Carlos Rocha, Orlando Marques dos Santos e Marcos Salafaia Costa.
Carlos Rocha, baiano de Santo Amaro, tem 40 anos, é piloto de aviões e conhecido como Ivo Preto. Responde a inquéritos e processos por roubo e tráfico. Está condenado a 20 anos de prisão. Tem pontos-de-venda de crack espalhados pela capital e diz ser informante do Drug Enforcement Administration (DEA), setor de combate às drogas dos Estados Unidos.
Sua última prisão foi em maio do ano passado. O Denarc apreendeu com ele 250 quilos de cocaína e pasta-base para o preparo das pedras de crack. Rocha foi transferido da Casa de Detenção para a cadeia de Itu, no interior. Fugiu um mês depois.
O delegado Robert Leon Carrel, do Denarc, conta que o traficante tem estreita ligação com os cartéis da droga. É um dos principais distribuidores de pasta-base de coca, matéria-prima usada para a fabricação de crack, destinado aos pequenos e médios traficantes da capital.
Fugas - O segundo macrotraficante relacionado pelo Denarc é Marques dos Santos, o Sarará. Paraibano de Itaporanga, de 38 anos, está condenado e fugiu duas vezes da prisão, a última em 17 de junho de 1997, da Penitenciária de Parelheiros. É o principal fornecedor de crack para as favelas das zonas norte e leste. Preso pelo Denarc em Goiás, foi trazido para São Paulo e transferido, a pedido de seus advogados, para Parelheiros, de onde fugiu.
Salafaia Costa, de 35 anos, nasceu em Atibaia, no interior. É o terceiro dos macrotraficantes, segundo o Denarc. O delegado Carrel diz que, em 1996, Costa foi preso com 250 quilos de cocaína e oito granadas. Fugiu da cadeia e voltou a ser preso
em setembro do ano passado, com 180 quilos de cocaína e pasta-base. Nova fuga. Desta vez do Cadeião de Pinheiros, em 31 de dezembro do ano passado. "Estava com dor de dente, saiu para tratamento no Pronto-Socorro da Lapa e fugiu."
O diretor do Denarc, delegado Marco Antônio Ribeiro de Campos, informa que os três macrotraficantes estão ligados às conexões boliviana e peruana do tráfico. "Eles trazem centenas de quilos de pasta-base para São Paulo a cada mês, exclusivamente para o preparo de crack." Para Campos, o objetivo do cartaz é permitir que a população denuncie os traficantes. "Temos problemas na capital com o crack, pois a cada dia mais pessoas estão envolvidas com seu uso e precisamos pôr na cadeia todos os traficantes."
Os demais traficantes incluídos no cartaz, segundo Campos, são responsáveis pela venda de crack em favelas e em centenas de pontos da capital. Hélio José da Silva, de 39 anos, Sidimar Aparecido Fernandes, de 35 anos, Silvana Aparecida Rossi
de 33 anos; Paulo José de Oliveira, de 45 anos, Marcos Paulo Nunes da Silva, de 26 anos, Deusdedite José de Souza, de 35 anos
e Marcelo Cláudio Cabral, de 32 anos, todos condenados, são fugitivos dos presídios.
Cabral, pernambucano de Caruaru, foi resgatado em companhia do irmão Marcos, da Penitenciária do Estado, em 16 de fevereiro de 1998, por falsos policiais civis. Condenado a 40 anos, domina o tráfico nas zonas leste e norte e em Guarulhos. Marcos foi assassinado com 20 tiros no mês passado na zona leste.

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