Cartas de londrinense preso no Japão confortam mãe
Preso há quase 3 anos na cidade de Nigata-Ken, no Japão, R.T.O., londrinense de 27 anos, apenas recentemente começou a mandar cartas à mãe. A última delas, enviada em outubro, dá uma ideia de como é a vida na prisão. ''Eu ganhei um crachá amarelinho que uma vez por mês come-se chocolate, toma um café, come coisa diferente. Lógico que paga 500 ienes do que ganha. Hoje, foi a primeira vez que comi chocolate de cereal, tomei chá com leite, comi um salgadinho de batata e um pão com creme.''
Segundo a mãe, Maria do Nascimento Nakama, o jovem foi preso por crimes como roubo de carro e dirigir sem habilitação. ''Meu filho sempre foi correto, trabalhador. Foi para o Japão com o sonho de ganhar dinheiro e ter uma vida melhor no Brasil. Mas acabou se relacionando com uma mulher que fez a cabeça dele. Começou a usar drogas e fazer coisas erradas'', conta a dona de casa que tem mais um casal de filhos no país oriental.
Ciente de que o filho tem de pagar a pena, ela reclama, porém, da falta de apoio do governo brasileiro e rigidez do governo japonês. ''Fiquei dois anos sem ter notícias do meu filho. Sabia que estava preso, mas não tinha ideia de como estava sendo tratado. Fui atrás de embaixada, de consulado brasileiro; ninguém, nenhuma entidade me ajudou com informação. Somente há pouco tempo que ele começou a enviar cartas e, agora, mantemos contato'', lista a mãe.
Ao mesmo tempo em que fica feliz por receber notícias, Maria se diz angustiada. Segundo ela, o rapaz não pode receber quase nenhum tipo de encomenda da família. Até objetos e roupas foram barrados no presídio. Apenas selos, papel de carta, alguns títulos de livros e dinheiro são entregues. Todo o restante tem que ser adquirido na própria unidade, como o rapaz diz em outro trecho: ''Aqui o frio é frio mesmo. Elem vendem uma roupa de baixo que é bem quentinha, mas é 'carinha'.''
Triste por não poder falar com o filho ao telefone, a mãe chora ao dizer que queria apenas um abraço. No entanto, pelo que disse o filho, ela sabe que, ainda que fosse ao presídio, não conseguiria tocar nele. ''Um tempo atrás passou na televisão que no presídio na Inglaterra tem como fazer visitas e as pessoas falam pessoalmente. Não tem nada de parede de plástico com furinhos para se comunicar (como aqui). Tem como receber visita de amigos e parentes. Pode ficar até uma hora'', diz o jovem na carta. (M.T.)





