Cartão de crédito substitui cheque pre-datado no Natal
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 27 (AE) - O uso de cartão de crédito bateu recorde neste Natal, tomando o lugar do cheque à vista e do pré-datado e até mesmo do crediário de curto prazo, já que muitas lojas oferecem a opção do parcelamento pelo cartão sem cobrança de juros.
A Visa espera um crescimento de 51,3% nas vendas com cartão de crédito em relação a dezembro do ano passado, com faturamento de R$ 2,18 bilhões este mês. Até domingo, o faturamento chegou a R$ 1,88 bilhão.
No cartão de débito, o crescimento é de 350%, com o faturamento saltando de R$ 26 milhões para R$ 117 milhões só em dezembro. No total do ano, o crescimento é de 34%, com faturamento de R$ 17 bilhões. "Cada vez mais consumidores e lojistas estão substituindo o cheque pelo cartão de débito e crédito", informa o presidente da Visa do Brasil, Ricardo Gribel. Para os lojistas, o cartão é mais seguro porque não tem inadimplência. O cartão de crédito é garantido pela administradora e o de débito só é autorizado após consulta do saldo na conta do cliente.
Nas compras de Natal, o consumidor também passou a usar o cartão no lugar do crediário, com o pagamento parcelado em três ou quatro vezes. Em dezembro do ano passado, as compras parceladas pelo cartão representavam 5,3% do total; agora, chegam a 10,2%. Em janeiro, a Visa vai lançar o cartão de débito pré-datado, com o risco assumido pelo lojista.
A Redecard, que processa as compras com cartões Mastercard, Diners e Redeshop, teve crescimento de 22,8% no número de transações até o dia 25 de dezembro, comparado com o mesmo período do ano passado. Na Credicard, que emite os cartões Visa, Mastercard, Diners e Redeshop, o faturamento cresceu 15% até dia 20 de dezembro, mas a empresa espera que esse número tenha aumentado na semana do Natal, a mais forte para as vendas, que registra o maior salto em relação ao ano passado. Os números finais do mercado serão divulgados somente na próxima semana.
Sem burocracia - O aumento do uso do cartão, que permite crédito fácil e sem burocracia, além de seguro para o lojista, também resultou numa redução dos outros indicadores de vendas, como Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Telecheque.
Diferentemente do esperado no início do mês, o número de consultas ao SPC aumentou apenas 0,1% até dia 25 de dezembro, em relação ao mesmo período do ano passado. As consultas ao Telecheque tiveram redução de 10,2% ante dezembro do ano passado
apesar do aumento de 34,3% na comparação com novembro, dentro da variação sazonal.
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, ainda não tem o resultado final deste Natal, mas já sabe que o faturamento foi menor que a estimativa feita em meados de dezembro, de 3% a 5% de crescimento.
O mês começou com crescimento em torno de 2% em relação a 98, mas, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores, foi desacelerando conforme se aproximava da data. No acumulado da quinzena, o crescimento caiu para 1,7% e foi diminuindo até chegar a 0,3% na véspera do Natal e 0,1% no consolidado.
Apesar da decepção com o movimento geral, algumas lojas venderam bem mais que no ano passado. No segmento de bens duráveis, que teve forte redução no número de pontos-de-venda este ano, as redes que ficaram no mercado tiveram crescimento.
Nas Lojas Cem, o crescimento de 26% em relação a 98 foi bem maior que os 10% esperados. "Estamos aumentando os pedidos para a indústria", disse o diretor comercial, Natale Dalla Vecchia. Apesar de ter 80% das vendas no crediário, ele nem sempre consulta o crédito para todos os clientes. "Se já temos um histórico, não consutamos o SPC", diz Natale.
Na Panashop, revendedora de produtos Panasonic, o crescimento foi de 15% em relação ao Natal do ano passado, em número de itens.


