A Polícia Federal está montando um croqui para saber onde estavam sentados os passageiros do Fokker-100 da TAM durante o trajeto de São José dos Campos para Congonhas, na capital, quando da explosão que destruiu parte da fuselagem e provocou a morte do empresário e engenheiro Fernando Caldeira de Moura. Apesar de encarar como uma brincadeira a carta anônima de uma suposta organização terrorista que assume a responsabilidade sobre a explosão no Fokker-100 da TAM, policiais federais disseram ontem que vão investigar para saber se existe alguma verdade no conteúdo.
Os federais trabalham com a hipótese de atentado, mas os delegados responsáveis pelo inquérito afirmam ser preciso saber a posição de cada um para chamar os passageiros e funcionários de vôo da TAM que ‘‘interessam’’. Assim que o croqui ficar pronto muitos dos que já foram ouvidos voltarão a prestar declarações.
Ontem, mais dois passageiros prestaram informações no inquérito. Um deles explicou que estava lendo jornal quando ouviu um barulho ‘‘igual a uma explosão’’. Ele e um rapaz sentado ao seu lado olharam imediatamente para trás, viram um passageiro gritando por socorro e dizendo que havia um buraco na fuselagem perto de onde se encontrava.
O outro passageiro ouvido acrescentou que ficou sabendo da morte do engenheiro somente à noite pelo noticiário da tevê e no dia seguinte pelos jornais.
Carta - A carta anônima de uma suposta organização terrorista com erros de português e trechos sem sentido escrita sobre a explosão no Fokker-100 da TAM, segundo o jornal Diário Popular, estava dentro de uma lata de tinta na Avenida Inajar de Souza, 2.600, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte.
O autor da carta, escrita em papel sulfite e coberta de talco para apagar impressões digitais, deu características de explosivo que coincidem com algumas análises feitas pelo Instituto de Criminalística (IC). A carta era endereçada ao comandante do 3º Batalhão de Choque, da Polícia Militar, coronel Jairo Paes de Lira, responsável pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).
Segundo o autor, na bomba usada no Fokker ele teria utilizado ‘‘TNT Nitro-ressulusinol, condutor plástico, CPst, 285,2 ml, prensd’’. Identificou-se pelo código M3ORAS147-TK. A carta anexada ao inquérito termina denunciando falcatruas. ‘‘Injustiças são cometidas dia a dia no seu País, 500 milhões do INSS levados por uma só pessoa enquanto a função anômala da autoridade policial, do seu País, é prender pessoas que roubam um pedaço de pão para se alimentar’’.

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