São Paulo, 17 (AE)- A nova carta de intenções do governo argentino com o Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgada oficialmente ontem (16), prevê défict de US$ 5,1 bilhões nas contas do governo este ano e não mais de US$ 4,95 bilhões como previsto anteriormente. No texto, com data do dia 10 de maio, o Ministério de Economia reconhece, pela primeira vez, em função da recessão, o aumento do desemprego, a queda de 2,8% na atividade econômica no primeiro trimestre do ano e a perda de US$ 3 bilhões na arrecadação tributário no atual exercício.
O texto encaminhado ao diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, acrescenta ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) real caiu 3,5% nos últimos dois trimestres do ano passado -- embora 98 tenha fechado com crescimento de 4,2% -- e retração de 2,8% no primeiro trimestre de 1999. De acodo com o jornal Clarín
o governo não havia divulgado até agora dados oficias do PIB no primero trimestre, embora as primeiras negociações entre o governo argentino e FMI tenham revelado uma queda de 4% para aquele período.
Outro sinal de que a economia argentina sofrerá um forte impacto este ano está reconfirmado no texto, no qual o governo Menem informa que o défict comercial, que chegou a um pico de US$ 5,9 bilhões em outubro do ano passado, será de US$ 4 bilhões este ano. Essa meta confirma que haverá uma forte redução das importações, já registrada nos últimos meses, com reflexos na atividade econômica do país.
A carta de intenções diz ainda que, embora o défict na balança comerial venha a apresentar uma ligeira redução, o resultado não aliviará o déficit na conta corrente. Devido ao considerável aumento dos pagamentos líquidos por conta dos juros ao Exterior, ele ficará no patamr de 4,1% do PIB. Esse nível se deve ao alto endividamento externo argentino, tanto do setor público como do privado. "O menor ritmo da atividade econômica terá um impacto negativo nas contas públicas, razão pela qual as projeções atuais indicam que os ingressos do governo terão uma redução de cerca de US$ 3 bilhões, em relação aos previstos anteriormente", diz o texto da carta reproduzido pelo Clarín.
Na carta de intenções, o governo anuncia ainda que está preparando a reforma da legislação tributária, que deverá ser enviada ao Congresso antes de novembro deste ano. Ná área da flexibilização trabalhista, na qual o FMI vem exercendo forte pressão, o governo se compromete derrogar, nos próximos meses, a maior parte dos estatutos especiais. Além disso, destaca que insistirá com um projeto próprio para baratear as indenizações trabalhistas, modificando a proposta do Ministério do Trabalho que acabou não agradando o FMI.

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