Carta de Calheiros a FHC relaciona Covas à Tejofran
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sexta-feira, 17 de setembro de 1999
por Deborah Kanarek 
São Paulo, 18 (AE) - O senador Renan Calheiros acusa o governador Mário Covas de ter ligações com a Tejofran, uma empresa criada com o objetivo de disputar concorrências públicas e privadas e depois terceirizar a prestação dos serviços. A denúncia consta de carta encaminhada por Calheiros ao presidente Fernando Henrique Cardoso no dia de sua demissão, 19 de julho e que a Revista "Isto é" publica com exclusividade essa semana. Segundo a revista, essa carta não teve até agora uma resposta do Palácio do Planalto.
Para Calheiros, Covas teria arquitetado o processo de fritura que culminou com a saída do ministro. "A irritação do governador paulista com as minhas atitudes chegou ao ápice quando revoguei a concorrência número 02/97 -DPF, consubstanciada no processo 0820007434/97-55, no valor de 170 milhões de reais, de interesse da Tejofran Saneamento e Serviços Gerais, muito ligada a ele e a seu filho, um certo Zuzinha, que detinha 20% do consórcio. Após ganhar a licitação, essa gente passou a exigir um escandaloso indexador em moeda americana com o obscuro objetivo de reajustar seus preços. Rejeitei a trama lesiva aos cofres públicos", denunciou Calheiros.
O ex-ministro também acusa o governador paulista de tê-lo pressionado para que transferisse aos Estados os serviços de inspeção dos veículos, uma nova exigência do Código Nacional de Trânsito que ainda será aplicada. "Jamais tive dúvida quanto ao caráter indecoroso do pedido para que o ministro da Justiça transferisse a competência para o Estado de São Paulo realizar concorrência para a Inspeção Técnica de Veículos determinada pelo Código Nacional de Trânsito. A pessoal e obstinada condução do caso revelou suspeito interesse pelo negócio que cria um mercado de 1 bilhão e 500 milhões de reais por ano. Ao telefone, o governador falou comigo pelo menos duas vezes sobre o assunto. Adiantou que já havia mantido entendimentos com as empresas interessadas", disparou Calheiros sugerindo tráfico de influência. "A pedido dele recebi outras pessoas interessadas. Não cedi às pressões e segui o caminho da lei. Encaminhei a questão ao Supremo Tribunal Federal que, por decisão unânime, entendeu ser essa matéria da competência do ministro da Justiça e não do governador", relata na carta publicada pela revista.


