Carta anônima denuncia armamento no campo e disputa entre movimentos dos sem-terra
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 23 - O presidente da Comissão de Agricultura, Francisco Graziano, disse hoje, em reunião da comissão, que recebeu uma denúncia anônima sobre o armamento dos movimentos dos trabalhadores rurais sem-terra. A carta anônima, recebida por Graziano, denuncia uma disputa interna entre o Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem-Terra (MLST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A carta informa que o MLST estaria em posse de 40 armas longas, rifles, e fuzis AK 47 e AR 15, além de pistolas e revólveres.
Segundo a carta, um atrito entre os dois movimentos na Fazenda Palmas da Babilônia, em Minas Gerais, próximo ao assentamento Rio das Pedras, teria resultado na expulsão de 60 integrantes do MST pelo MLST. A carta afirma também que o MLST está sendo financiado por organizações de esquerda da França e da Bélgica e que o MST também estaria recebendo dinheiro do exterior. Ao fazer a denúncia, Graziano chegou a propor a criação de uma subcomissão da Comissão de Agricultura para investigar o armamento no campo.
A idéia, no entanto, foi logo afastada por Graziano ao ser informado pelo líder da bancada ruralista, Abelardo Lupion (PFL-PR) de que já está circulando pelo Congresso um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista para investigar as ações do MST. Entre elas, a invasão de propriedades produtivas e prédios públicos, sequestro
roubo e ameaça de morte, ligação da entidade com movimentos revolucionários de outros países e o envio ilegal de recursos para financiar as atividades do movimento.
Lupion informou que amanhã já deverá contar com um número suficiente de deputados para a instalação da CPI e que a campanha para colher as assinaturas no Senado deve ser intensificada na próxima semana, com o objetivo de instalar a comissão em agosto. Os parlamentares da oposição que integram a Comissão de Agricultura na Câmara, questionaram a instalação de uma CPI para investigar apenas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo o deputado Geraldo Simões (PT-BA), a violência no campo está do outro lado. "Os parlamentares governistaas querem fazer coro ao discurso do presidente que anteontem citou o MST na tentativa de superar sua autoridade abalada", afirmou o deputado. Segundo ele, o PT é a favor que seja investigada a violência no campo de um modo geral e para isso, lembrou, a Câmara já possui subsídios de uma CPI realizada em anos passados que revelou de onde parte a violência e quem a financia.


