Rio de Janeiro - Um dia após traficantes incendiaram dois ônibus e um carro no morro da Mangueira (zona norte do Rio), dois veículos foram queimados nas proximidades das favelas Cidade Alta e Quitungo, na zona norte, na madrugada de ontem.
A polícia, no entanto, acredita que foram dois atos isolados, sem ligação entre si nem com os atentados na Mangueira ontem quando foram queimados ônibus em reação a mortes provocadas por confronto com a polícia.
Por volta da meia-noite, uma Blazer foi incendiada na Rua Schultz Wenk, próximo a um acesso à favela Cidade Alta, em Cordovil. Cerca de uma hora depois, na rua Marina Barreto, criminosos atearam fogo em um Celta. O local é próximo à favela do Quitungo, em Brás de Pina, dominada por uma milícia formada por policiais e ex-policiais.
O comércio nas proximidades do morro da Mangueira (zona norte do Rio) amanheceu fechado. A Polícia Militar (PM) informou ter prendido um suspeito de ter participado os ataques, que ocorreram em represália a morte de três supostos traficantes.
Segundo a PM, a postura dos comerciantes foi uma decisão pessoal. De acordo com a corporação, o policiamento foi reforçado nas ruas próximas à favela, como a São Luiz Gonzaga, Visconde de Niterói e Ana Néri.
Os lojistas, no entanto, não se sentiram seguros e mantiveram os estabelecimentos sem funcionar. Não foram registrados tiroteios no morro ontem.
Na favela Vigário Geral (zona norte), que assim como a Mangueira, é controlada pelo CV (Comando Vermelho), foi preso Márcio Nascimento de Souza, 18 que, segundo informações colhidas por PMs, seria traficante e parente do antigo líder do tráfico na Mangueira, Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha.
A Polícia Civil vai investigar seu envolvimento no caso.
Tuchinha deixou a cadeia no ano passado, e a polícia suspeita que ele possa ter retomado o controle do tráfico na Mangueira.
O toque de recolher, segundo moradores, partiu dos traficantes. O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), afirmou ontem que a reação dos criminosos não intimidará o trabalho da polícia, ao comentar o incidente na Mangueira. ''Nós não nos intimidamos, vamos continuar atuando em operações que recuperem armas, que apreendam drogas, esse é o nosso trabalho'', disse ele.
Segundo Cabral, a operação na favela foi ''muito bem realizada''. Ele afirmou que a Polícia Civil entrou na Mangueira, apreendeu armas, drogas e ''matou três marginais''. ''Houve reação dos bandidos. Graças a Deus sem nenhuma vítima, nenhum inocente foi vitimado.'' Ao falar sobre a possibilidade de novos ataques, apesar da chegada de tropa da Força Nacional de Segurança, Cabral disse que não é ''porta-voz de bandido''.

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