Londrina - José Raimundo de Moraes, de 37 anos, nunca recolheu à Previdência Social. Ele é carroceiro desde a juventude e com a renda obtida com o serviço ajuda a sustentar a mulher e os filhos. Ontem, pisou pela primeira vez em uma sede do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Londrina. O carroceiro não foi recolher entulho, mas buscar conselhos para formalizar sua atividade e ter direito a benefícios sociais.
A função de carroceiro não é regulamentada como profissão pela Previdência Social, mas não deixa de ser um profissional liberal com direitos e garantias, segundo a Constituição. Moraes e os outros profissionais só precisam fazer um cadastro, comprar um carnê da Guia de Previdência Social (GPS) e pagar a contribuição individual todo mês (11% do salário mínimo pelo Plano Simplificado).
''Esses R$ 71,72 por mês podem auxiliar no momento em que você mais precisar, num acidente, numa doença ou às vezes até no falecimento, com auxílio aos dependentes'', explicou o chefe da seção de Administração de Informações de Segurados do INSS Londrina, Thiago de Moraes Siqueira.
''Tem coisas que não sabia. Cheguei a sofrer acidente e fiquei parado sem receber nada porque não sabia dessa segurança. Não estarei jogando dinheiro fora, mas guardando para a minha família'', comemorou Moraes.
Ele é o presidente da Associação dos Carroceiros de Londrina, já formalizada em ata e que será registrada em cartório na próxima semana. A entidade estima que mais de 400 profissionais atuem na cidade. A categoria se mobilizou para lutar contra a extinção da atividade em seis anos, defendida pela administração municipal.

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