Carroça deve sofrer restrição no trânsito
Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Com uma frota de aproximadamente 120 mil veículos, segunda per capita do Estado, Maringá sofre com o trânsito lento, principalmente no centro da cidade. As carroças e os catadores de papel são apontados como os principais vilões. Na tentativa de diminuir as reclamações dos motoristas, a vereadora Arlene de Lima (PMDB) conseguiu aprovar uma lei que obriga o cadastramento e impõe algumas restrições ao tráfego de carroças no centro.
Apesar de bem recebida, a lei ainda não foi regulamentada. Sem a regulamentação, não podemos fazer nada, ficamos sem ter como estabelecer limites, afirma o diretor da secretaria de Transportes, Mauro Menegazzo. Ele acredita que um dos principais problemas é que as carroças podem atrapalhar o funcionamento da onda verde dos semáforos.
Estamos investindo alto em pesquisas de melhoria de trânsito, que ficam prejudicadas pela lentidão destes veículos. Mauro destaca que a lei aprovada não prevê mudanças significativas neste sentido. A questão do tráfego lento provocado pelas carroças poderia ser amenizada se houvesse uma restrição no horário de circulação, pelo menos na área central. Vamos pensar em uma emenda na lei aprovada.
Menegazzo acha que um dos maiores empecilhos para a resolução definitiva do problema é político. A atitude de restringir ou banir os carroceiros soa antipática. Apesar de eles atrapalharem bastante o trânsito, não podemos proibir um pai de família de trabalhar. Ele afirma também que, por enquanto, não há como definir as regras de circulação entre as cidades. O carroceiro de Sarandi, por exemplo, vai obedecer a que lei, daqui ou de lá?, pergunta. É preciso regulamentar isso também, diz
Sem o devido cadastramento e regulamentação, a Polícia Militar não tem como multar os carroceiros e catadores de papel que desrespeitam o Código de Trânsito Brasileiro. Segundo o tenente Ademar Paschoal, comandante do pelotão de trânsito da PM, boa parte dos carroceiros comete várias infrações, como ultrapassar o sinal vermelho e trafegar na contramão.
Pelo código, os condutores de veículos de tração animal têm que respeitar quase todas as regras de circulação, o que não acontece, diz. A situação das carroças é a mais urgente mas, por enquanto, não há fiscalização. Os policiais advertem, mas isso não é o suficiente. Não podemos apreendê-los e também não temos onde deixar esses veículos e gente para tratar os animais.
Para Paschoal, a solução seria começar com um projeto de educação dos condutores. Poderiam ser ensinadas normas básicas de trânsito. É necessário achar um meio termo para uma convivência pacífica. Essas pessoas precisam trabalhar e a cidade precisa do serviço deles também, opina. O tenente afirma que a questão é delicada e envolve várias camadas da população. Não se pode simplesmente acabar com essa profissão. Se fossem educados para as normas, os próprios condutores iriam se preocupar em respeitar a sinalização e as leis, acredita.Carroceiros e catadores de papel que usam carrinhos são considerados os principais vilões pelos motoristas
James NegriniLentidãoCarroças podem ter horários restritos para circular no centro de Maringá: lei depende de regulamentação





