São Paulo, 09 (AE) - O custo de produção de cada carro que a General Motors vai fabricar no Rio Grande do Sul será no mínimo US$ 1 mil mais baixo do que nas fábricas da companhia nos Estados Unidos. A informação é do diretor de manufatura da General Motors na América do Norte, Richar Christensen, que participou hoje de seminário em São Paulo. Segundo o executivo americano o modelo da fábrica que a GM está construindo em Gravataí servirá para indicar o caminho dos conceitos que a companhia utilizará no futuro.
A mesma fábrica inaugurará modelo inédito de rapidez na entrega de componentes. Segundo Christensen, tradicionalmente novas fábricas de carro começam a operar com estoque para meia semana de produção. A planta de Gravataí será inaugurada com tempo máximo de entrega de peças de 90 minutos. A partir de então a empresa trabalhará para reduzir este teto.
A nova fábrica brasileira da General Motores terá capacidade para produzir 215 mil veículos por ano em três turnos de trabalho, segundo o executivo. Na Europa as fábricas da montadora conseguem montar 230 mil unidades em dois turnos. Segundo Christensen, o investimento no Brasil é muito menor para atingir volume quase igual às da Europa.
A linha de Gravataí foi, a exemplo das demais fábricas de carros novos, projetada para abrigar os principais fornecedores, chamados de sistemistas. Eles entregarão na linha de montagem sistemas de componentes, já prontos, o que ajudará a otimizar a produção. Segundo Christensen serão, inclusive, responsáveis pelas despesas com garantia.
"A General Motors do Brasil é um modelo para toda a companhia", destacou durante palestra a executivos do setor automotivo que participaram, durante o dia todo, do seminário "Manufatura e Suprimentos na Indústria Automobilística", realizado pela S A E Brasil (Sociedade de Engenheiros Automotivos).
A General Motores vai fabricar no Rio Grande do Sul um carro compacto, cujo projeto leva o nome de "Blue Macaw" (Arara Azul). "O Blue Macaw" está nos ensinando como fazer mais com recursos limitados", disse o diretor de manufatura americano. Segundo ele, além de abrir um novo segmento de mercado, o projeto vai agregar valor ao produto final que se traduzirá em benefício ao consumidor. A fábrica gaúcha absorverá investimento de mais de US$ 750 milhões.
No projeto inicial a inauguração deveria ser no final deste ano. Mas a negociação dos incentivos fiscais com o governo do Rio Grande do Sul postergou o início da operação para o final do primeiro semestre do próximo ano. Quando o governador Olivio Dutra (PT) anunciou o cancelamento dos incentivos para as montadoras a Ford retirou o seu projeto. Mas a General Motores, que já estava com obras em andamento negociou com o governo.

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