São Paulo, 26 (AE) - Os carros populares e de médio porte vão ficar oficialmente mais baratos a partir da próxima semana, quando será publicada a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no Diário Oficial. A queda imediata nos preços atuais será de no mínimo 8%. Em São Paulo, o desconto médio poderá chegar a 12% porque o governador Mário Covas já se comprometeu a mudar também o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os demais Estados vão decidir na terça-feira, durante reunião do Conselho de Política Fazendária, se acompanharão a decisão de Covas.
A redução terá validade por 75 dias. Segundo o secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Helio Mattar, o prazo poderá ser prorrogado se não ocorrer queda de arrecadação. O governo conta com o aumento das vendas para compensar a renúncia fiscal. Mattar esteve hoje no Ministério da Fazenda, em São Paulo, para fechar o acordo emergencial que visa incentivar o mercado de veículos e a manutenção de empregos no setor automobilístico. Participaram da reunião representantes das montadoras, das autopeças, dos revendedores, dos trabalhadores e dos governos de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
O secretário-adjunto da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, Antonio Luiz Bernardes, disse que o Estado ainda têm dúvidas sobre sua participação, o que deverá ser definido na reunião do Confaz. Foi acertado na reunião, entretanto, que todos os participantes tentarão convencer os Estados da importância do projeto. Bernardes afirmou, contudo, que "a decisão final será do governador Itamar Franco".
Já o governador Covas enviará à Assembléia Legislativa na quarta-feira um projeto reduzindo o ICMS de 12% para 9% para ser votado em regime de urgência. O coordenador da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda, Clóvis Panzarini, acredita que a aprovação pode ocorrer no mesmo dia. Os sindicalistas Luiz Marinho (metalúrgicos do ABC) e Paulo Pereira da Silva (metalúrgicos de São Paulo) se comprometeram a falar com os deputados para apressarem a votação.
Crédito - Com a redução do IPI, os preços ao consumidor praticamente voltam a se equiparar aos de dezembro, antes portanto dos quatro reajustes anunciados pelas montadoras por conta de aumento de impostos e da defasagem cambial. Para anular parte desses aumentos, as montadoras concederão um bônus de R$ 350 para os carros populares e de R$ 250 para os demais. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse que as redes de revendedores poderão adotar outras vantagens para os clientes.
Mattar anunciou ainda que o Banco do Brasil também vai lançar, nos próximos dias, uma linha especial de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, prazo maior de pagamento e valor de entrada menor para facilitar as vendas financiadas. "O mercado de veículos está parado há quase um mês e, com essas medidas, as vendas com certeza serão retomadas imediatamente", afirmou o presidente do conselho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Waldemar Verdi Júnior.
O prazo inicial do acordo emergencial foi ampliado de 60 para 75 dias para compensar os estoques de 60 mil veículos (de um total de 80 mil que estão nas concessionárias) adquiridos neste ano com IPI maior. A fórmula encontrada para a compensação foi a de que, nos primeiros 20 dias e nos últimos 15 dias do acordo, os concessionários poderão adquirir produtos com uma redução extra de dois pontos percentuais.
Com a redução aprovada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o IPI dos carros populares nacionais e importados cai de 10% para 5% e dos carros médios (com até 127 hp) de 25% e 30% para 17%. Em contrapartida, montadoras, autopeças e concessionários se comprometem a manter os empregos por 90 dias. Há exceções para programas de voluntariado, corte de pessoal temporário e suspensão temporária (lay-off). O setor emprega cerca de 500 mil trabalhadores.
Vendas - As vendas de veículos em fevereiro caíram 50% em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, foram vendidos no varejo até agora cerca de 60 mil unidades, um dos mais baixos volumes registrados pelo setor.
O mercado, que já estava fraco, parou à espera do acordo de redução de preços. Há marcas que estão antecipando a redução. A Fiat vai repetir neste sábado e domingo a promoção feita no fim de semana passado. As lojas da Grande São Paulo estarão dando descontos de 11% em todos os modelos com motor 1.0.
Caso a redução de impostos ultrapasse esse índice, as concessionárias se comprometem a devolver a diferença. Compromisso similar está sendo assumido pelas revendas Primo Rossi (Volkswagen) e Trans-Am (GM).
O preço do carro mais barato da Fiat, o Uno Mille, cai de R$ 10.905 para R$ 9.705.A rede Chevrolet também anunciou promoção para o Corsa Wind 2 portas, que teve o preço reduzido de R$ 12.734 para R$ 11.734. A versão quatro portas também está R$ 1 mil mais barata.
Tensão - A reunião de hoje no Ministério da Fazenda foi marcada por alguns momentos de tensão por causa da insistência do governo de Minas Gerais e do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim em colocar condições para participar do acordo. O coordenador da Secretaria da Fazenda de São Paulo, Clóvis Panzarini, chegou a interromper, durante entrevista à imprensa, o representante da Secretaria de Minas Gerais, Antonio Luiz Bernardes.
Bernardes dizia que Minas ainda não tinha avaliado se a alteração do ICMS era legalmente possível, quando Panzarini afirmou: "Nós já sabemos que é possível e vamos fazê-lo; quem quiser comprar carro mais barato pode vir para São Paulo".
Já o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Marcelino Rocha, disse que só assinaria o acordo com a condição de que a Fiat - única montadora instalada em Minas Gerais - aceitasse discutir as 4 mil demissões que a empresa teria feito no ano passado, durante a vigência de um outro acordo de redução de IPI que previa estabilidade no emprego.
O diretor da Fiat, Eduardo Muzzi, só concordou em discutir, na próxima semana, uma reaproximação com a entidade, mas disse que não vai rever cortes feitos no ano passado.

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