Carro apreendido teria sido usado em ataque
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de maio de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Londrina - Policiais militares apreenderam ontem pela manhã um Honda Civic que pode estar relacionado ao incêndio de um ônibus da empresa Londrisul, ocorrido no Conjunto Roseira (Zona Sul de Londrina) no último domingo. O veículo localizado ontem havia sido roubado na semana passada, no Centro de Londrina, e há suspeita de que teria sido usado pelos autores do incêndio.
Segundo informações extraoficiais, dentro do Civic, encontrado no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste), havia um bilhete com uma mensagem para que fosse trocada a direção da Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL II), uma garrafa com gasolina, documentos e duas cápsulas de pistola .40.
Três jovens atearam fogo ao ônibus da Londrisul após um assalto, na noite de domingo. Em seguida, fugiram em um carro. Não houve feridos.
A Polícia Civil investiga se o incêndio do ônibus foi uma maneira de desviar a atenção dos policiais, já que pouco depois houve uma tentativa de fuga frustrada na PEL II. ''Vamos investigar o conteúdo do bilhete e ver se tem alguma relação com o incêndio'', afirmou o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Manoel Pelisson. O delegado se recusou a informar o conteúdo do bilhete e até mesmo quais objetos foram encontrados dentro do Civic.
A tentativa de fuga frustrada e o incêndio ao ônibus despertaram novamente rumores de que haveria facções criminosas atuando em presídios paranaenses. De acordo com Adílson de Moura, diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) em Londrina, a representação sindical já recebeu informações de que uma facção que age em presídios de São Paulo estaria tentando se infiltrar em unidades paranaenses. ''Mas não há nada confirmado'', disse Moura.
O diretor afirmou que o sindicato não recebeu informações sobre a eventual responsabilidade de facções criminosas no incêndio de domingo. ''Qualquer informação que recebemos é prontamente repassada ao Ministério Público ou ao setor de inteligência da Secretaria de Justiça'', apontou Moura.
A juíza titular da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Márcia Guimarães Marques da Costa, não foi localizada para comentar o assunto. O coordenador do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Maurício Kuehne, disse que só soube do conteúdo do bilhete através da imprensa. ''Não tive conhecimento, não vi (o bilhete). Mas já acionamos a corregedoria para ver o que está acontecendo. Da direção da unidade, só soubemos da tentativa de fuga, que foi abortada sem que houvesse feridos'', afirmou Kuehne. O coordenador explicou que a investigação da corregedoria vai apurar também se houve algum excesso na contenção da fuga.
''O que posso dizer é que não admitimos qualquer tipo de violência nos presídios. A política do Depen é respeitar os direitos dos presos'', disse Kuehne. A direção da PEL II não se pronunciou sobre o assunto.


