São Paulo, 21 (AE) - O governo federal quer criar estímulos adicionais para veículos a álcool. As medidas podem beneficiar, além dos taxis, locadoras, veículos de transporte coletivo e ainda suspender de rodízio carros com motor movido com o combustível alternativo. A decisão foi anunciada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, e visa atender o pedido dos usineiros, que prevêem a necessidade de produção de 150 mil a 200 mil veículos movidos com derivado da cana por ano para estimular o Proálcool.
Lafer participou hoje da reunião comandada pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), com o setor sucroalcooleiro, indústria automobilística, trabalhadores e secretários de estado. Segundo o ministro, o governo federal está empenhado no programa e quer vê-lo funcionar a longo prazo.
Lafer destacou que a oferta de veículos movidos com o combustível alternativo "é um componente importante" para garantir o sucesso do programa. Ele acredita que as ações complementares, com novas formas de estímulo, garantirão a meta de produção de 150 mil veículos por ano, conforme pedido pelos usineiros.
O ministro disse que o governo não sabe o tamanho da frota de carros do setor público, que também deverão rodar com este combustível.
Se alcançada a meta, os veículos a álcool representarão pelo menos 12% da produção nacional. Lafer não explicou de que forma seriam criados os estímulos e tampouco cogitou a isenção de IPI em novas frentes. Recentemente o governo federal anunciou que a partir de outubro somente taxis movidos a álcool terão isenção de IPI.
O governador paulista destacou a preocupação com os 600 mil empregos do setor sucroalcooleiro. Os representantes da indústria automobilística reiteraram na reunião que Volkswagem e Fiat continuam fazendo carros a álcool. A General Motors vai relançar o motor movido com derivados da cana em novembro e a Ford fará o mesmo em janeiro.
"Para nós o álcool integra a lista de matrizes energéticas no Brasil", destacou o vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Célio Batalha. Mistura - Outra preocupação da indústria diz respeito à decisão do governo de aumentar a quantidade de álcool na gasolina dos atuais 24% para 26%. As montadoras alegam que não existe margem de segurança nessa mudança porque os motores dos carros que circulam pelas ruas foram concebidos para uma mistura de 22%. A Anfavea vai fazer testes e informar o governo posteriormente.
Outra decisão tomada na reunião de hoje diz respeito aos testes de álcool no diesel, que começarão a ser feitos em São Paulo. Hoje a mistura de 3% de álcool anidro no diesel está sendo experimentada em Curitiba. Covas determinou o início dos testes em São Paulo.

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