Leonardo Rodrigues Pareja começou cedo na criminalidade. Segundo ele mesmo dizia, aos 16 anos, quando roubou um Opala Comodoro somente para se divertir pelas ruas de Goiânia. Desde então, praticou uma série de crimes como roubos a carros, assaltos a mão armada e sequestros. Ele era considerado como o primeiro criminoso marketeiro do país, por sua capacidade de sensibilizar a opinião pública a seu favor. Dizia que havia entrado no mundo do crime por ‘‘aventura’’.
Filho de classe média falida - seu pai, antes de se separar de sua mãe, foi fazendeiro - estudou até a 4ª série no tradicional Colégio Ateneu Dom Bosco, frequentou cursos de piano, inglês, espanhol e computação. Em setembro de 1995, Pareja tornou-se conhecido nacionalmente após manter refém por 61 horas a sobrinha de um dos filhos do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), Fernanda Viana, de 14 anos. Ela ficou presa com Pareja em um hotel de Feira de Santana.
Fernanda foi, então, trocada por um comerciante, com o qual Pareja escapou. Durante 41 dias, foi perseguido por policiais da Bahia e de Goiás e se entregou na cidade de Maurilândia, a 205 quilômetros de Goiânia, no dia 12 de outubro. Três dias antes havia trocado tiros com a polícia em um templo de uma igreja evangélica, quando uma menina ficou ferida.
Sempre que podia, dava entrevistas à imprensa onde procurava chamar a atenção das pessoas para seu lado de ‘‘bom mocismo’’. Pareja também se considerava um criminoso galã, fazendo questão de mostrar dezenas de cartas de garotas. Mesmo tendo contra ele uma condenação a nove anos de prisão - por ter roubado 11 postos de combustível em uma única noite - outra a oito anos e quatro meses por roubos de carros, além de dez inquéritos policiais pelo mesmo motivo e mais um pelo sequestro de Fernanda.
Pareja se gabava por estar escrevendo, na prisão, dois livros sobre sua vida. ‘‘Vida Bandidam, Aventuras Perigosas’’ mostraria as suas peripécias nas páginas policiais. ‘‘Meu Primeiro Sequestro’’ era sobre o tempo em que manteve Fernanda refém na Bahia.

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