Carreira começou em 76 e foi marcada por processos
São Paulo, 29 (AE) - A trajetória de Hanna Garib (suspenso do PPB) na administração pública começou em 1976, quando trabalhou como assessor na AR-Pinheiros. Desde então, assumiu vários cargos em quatro regionais, foi o administrador da Freguesia do à e da Sé e já disputou quatro eleições.
Filho de imigrantes, nasceu em Aita, no Líbano, em dezembro de 1949, e chegou ao Brasil com 2 anos. Estudou em colégios de classe média e, após atuar em distribuidoras de títulos e valores mobiliários, iniciou carreira na Prefeitura.
Movido, segundo ele próprio, "pelo gostinho da política", tentou eleger-se deputado estadual em 1990 e obteve apenas 13.482 votos. Insuficiente para elegê-lo, a quantidade levou-o a tentar uma candidatura mais modesta. Em 1992, tornou-se vereador
com 12.207 votos.
A carreira política de Garib sempre foi marcada por processos na Justiça Eleitoral. Sua primeira candidatura foi impugnada: ele declarou ser advogado quando era funcionário público e não estava afastado do cargo para concorrer. Garib, porém, venceu o recurso.
Também já foi acusado de distribuir carteirinhas do Plano de Atendimento à Saúde (PAS), num comitê eleitoral. Em outras candidaturas, o problema foi ora a utilização de ambulâncias doadas para a campanha, ora a oferta de 10% de seu salário, para não ter de comparecer à regional na qual estava lotado. Garib, porém, se livrou de todos os processos.
Em 96, reelegeu-se vereador com 35.278 votos. No ano passado, conseguiu uma cadeira na Assembléia Legislativa, com 41.544 votos. Ocupou a última vaga da coligação PPB e PFL. Mais da metade de sua campanha foi financiada por empresas e um empresário do PAS.
As recentes acusações na Câmara contra Garib foram mais um estímulo para que abdicasse de seu mandato como vereador e assumisse na Assembléia, onde teria garantida a imunidade parlamentar.
Na Câmara, Garib fez projetos de 18 indicações para títulos e medalhas, uma delas para um comerciante indiciado por contrabando pela PF. Propôs 50 projetos de nomes de ruas e datas comemorativas e foi o autor do pitoresco projeto que obrigava a instalação de freios e amortecedor de colisões em carrinhos de supermercado.
O patrimônio do deputado, cujo sigilo bancário e fiscal quebrado em março, foi estimado em R$ 1,3 milhão, segundo declaração de bens apresentada ao TRE, em 98.
Além de controlar politicamente a AR-Sé, Garib tinha domínio sobre uma Delegacia Regional de Ensino Municipal (Drem), várias creches e o Módulo 11 do PAS, na Vila Brasilândia, zona norte.
Garib também usou de sua influência para indicar a mulher, o irmão e o filho para cargos na Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo. Todos estão sendo investigados pela polícia.





