São Paulo, 24 (AE) - O diretor superintendente do Carrefour no Brasil, Jean Duboc, reiterou hoje que a empresa não vai comercializar produtos transgênicos. Isso inclui também os frangos e suínos alimentados com esses produtos, que possam vir a ser comercializados no Brasil. "Os argumentos da saúde e da prudência estão do nosso lado", afirmou.
Duboc esteve presente no lançamento do Selo de Garantia de Origem do Carrefour, que ocorreu na sede da empresa, em São Paulo. Duboc afirmou que não existem garantias de que os produtos transgênicos sejam inofensivos. "Daqui a dez anos pode ser até que se descubra que não há riscos, mas o caso da doença da Vaca Louca nos recomenda cautela", disse.
O Carrefour continua negociando com produtores e indústrias brasileiras a compra de farelo não-transgênico para posterior exportação para a Europa.
Segundo o diretor da divisão agropecuária, Arnaldo Eysink, a empre sa está, na verdade, fazendo a ponte entre seus fornecedores europeus que consomem farelo de soja, e os brasileiros. "Pretendemos apenas garantir a parte tecnológica, mas não estaremos envolvidos diretamente nos negócios", disse Eysink.
O Carrefour negocia inicialmente a compra de 300 mil toneladas de soja para exportação para a Europa em 99/200. A projeção da empresa é de que o volume salte para 500 mil toneladas na safra seguinte.
Eysink informou que ainda não existe previsão de que se pague prêmio para seus fornecedores de soja não-transgênica. Para ele, o simples fechamento de um negócio de 300 mil toneladas para exportação já é atrativo suficiente para os produtores e indústrias contemplados.
O executivo questionou a suposta redução de custos de produção por meio da soja transgênica comercializada pela Monsanto. "Isso é o que eles dizem, mas quanto vai custar realmente essa semente, essa teconologia?", questionou.
O Carrefour coordenou uma missão com cooperativas européias para buscar produtores e indústrias que possam formar parcerias na produção de não-transgênicos. "Em quinze dias, percorremos várias regiões do Brasil, e estamos selecionando as melhores para nosso projeto", disse Eysink.
Segundo o executivo, o Carrefour estará priorizando o grande produtor, que tenha nas mãos todo o processo. Eysink disse que nenhum contrato foi selado ainda. "Afinal, ainda não foi definido se o Brasil vai ou não produzir transgênicos", disse.

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