São Paulo, 15 (AE) - O presidente do Carrefour, Jean Duboc, informou nesta quarta-feira (15) que a empresa adotou uma nova política com seus fornecedores ligados à agricultura. Trata-se do contrato com o mundo agrícola. Segundo ele, de março até agora já foram assinados 12 parcerias que vão de produtores de frango caipira, camarão, batata, cenoura a mamão. "Nossa intenção é ter um produtor para cada família de produto", afirma Duboc. E acrescenta que "o objetivo é reduzir cada vez mais a cadeia de distribuição, diminuindo os custos".
Ele cita como exemplo o preço do camarão, que dentro deste moldes, terá o preço mantido em no máximo R$ 13,00 o kilo. O primeiro contrato, neste setor, explica, foi feito com o produtor de Recife que irá garantir inicialmente 4 mil toneladas/mês de camarão. Segundo ele, só no mês passado o Carrefour comercializou 90 toneldas de camarão.
O outro contrato, no segmento de frango caipira, garantirá a empresa francesa 100 toneladas de frango/mês. ele disse ainda que a intenção do Carrefour, dentro deste novo conceito é criar um selo de qualidade destes produtos, observando que trata-se de produtos naturais sem transgênicos.
No ano passado, o faturamento global do Carrefour foi de US$ 38 bilhões. Sendo que US$ 7 bilhões provenientes do Brasil. A estimativa para este ano, segundo ele, é atingir US$ 4 bilhões de dólares. Ele ressalta que, trata-se de uma receita muito superior a do ano passado, considerando a desvalorizaçãpo cambial.
Duboc disse também que houve crescimento das vendas neste primeiro semestre em relação ao anterior, porém, não quis divulgar números. Pelas suas contas, as sete empresas adquiridas pelo Carrefour somam um faturamento anual de R$1,5 bilhões.
Segundo Duboc, a empresa deverá investir este ano R$ 1 bilhão, no Brasil, tornando-se a maior empresa empregadora com 45 mil funcionários.
Vendas - Duboc disse que, embora as vendas conhecidas da Associação Brasileira de Supermercados, no ano passado, tenham somado R$55 bilhões, elas não representam a totalidade do varejo brasileiro, "que podemos estimar em R$85 bilhões".
Segundo ele, o Carrefour está adotando uma nova política, a de incentivar e proteger fornecedores locais - que não representam mais de 10% a 15% na nossa atividade - não só pelo aspecto econômico que eles representam, mas principalmente porque correspondem ao desejo dos clientes.
Fiesp - Duboc disse à Agência Estado que "não existe guerra, mas sim negociação entre varejo e indústria. Esta é a realidade do mercado hoje. Afinal atuamos no mercado de livre concorrência".
Duboc se refere à preocupação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, que anunciou que a Fiesp está debruçada sobre um estudo visando evitar impasses nas futuras negociações que, segundo ele, seriam causadas pela concentração do varejo.
"O Piva está gritando antes de sentir a dor. Isso é um grande absurdo, não temos problemas desta ordem. A guerra não está entre eles (Fiesp) é uma questão do varejo com seus fornecedores
se ele insistir nesta questão, os fornecedores poderão acenar com a possibilidade de aumento de preço. É isso que ele quer?", indaga Duboc.

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