Empresários, comerciantes e trabalhadores autônomos realizaram nesta sexta-feira (1º) uma carreata pedindo o relaxamento das medidas de isolamento social e a retomada das atividades do setor produtivo. Eles afirmam que o fechamento do comércio e a suspensão da produção industrial por 30 dias deixou o setor produtivo em uma situação “muito difícil” e já há pessoas “passando fome”.

Imagem ilustrativa da imagem Carreata pede retomada das atividades econômicas em Londrina

A mobilização para a carreata “Cuidar sem Quebrar” começou pelas redes sociais. Os manifestantes se encontraram no Estádio do Café e seguiram até o cruzamento das avenidas Higienópolis com a Juscelino Kubitschek. O comerciante Anderson Moreira, que participou do protesto, disse que o setor produtivo “clama por socorro”. Segundo ele, o objetivo é encontrar um equilíbrio, evitando um colapso econômico sem deixar de lado os cuidados com a saúde. “A crise econômica vai matar mais gente do que o coronavírus. Pessoas vão morrer de fome, pela violência.” O equilíbrio, disse o comerciante, seria abrir o comércio sem deixar de lado as medidas de segurança, como o uso de máscara e álcool gel.

Após 30 dias de suspensão das atividades econômicas em Londrina, um decreto municipal autorizou a retomada do comércio e indústria a partir de 20 de abril. Mas acatando pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o retorno da quarentena. O município recorreu da decisão,mas nesta sexta-feira, a Justiça negou o pedido de liminar do município e manteve o fechamento.

“As pessoas estão sem renda e o desespero está grande. Cem pessoas infectadas e 13 óbitos não podem parar a cidade por 30 dias. Hoje, eu acredito que as UTIs estão com menos de 50% de ocupação. Setenta por cento da população uma hora vai adquirir a doença e estudos provaram que a paralisação não está diminuindo a curva”, argumentou Moreira, sem citar a autoria dos estudos citados por ele. “A gente não vai acabar com a doença de uma hora para outra. Vamos ter que aprender a conviver com ela.”

Segundo boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde nesta sexta-feira, Londrina contabiliza 104 confirmações da doença e 13 óbitos e a taxa de ocupação dos leitos de UTI adulto no município está em 77% e a pediátrica, 63%.

O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, reconhece a legitimidade do movimento, mas defende que este não é o momento de afrouxar as medidas de isolamento. “Não estou aqui para decidir a questão comercial, mas todos nós somos responsáveis por aquilo que nós mesmos fazemos. Vai abrir o comércio, os shoppings, o número (de infectados) vai crescer”, destacou. “Estamos avaliando que agora vai chegar o momento do aumento do número de casos e mortes e fico preocupado que não falte o material, equipamento, profissionais no plantão. Hoje as pessoas vão fazer manifestação, completamente legítima, mas amanhã vai ser um novo dia e quero que tenhamos respiradores e leitos à disposição. Estamos conseguindo manter um equilíbrio por causa do isolamento, mas duas ou três decisões equivocadas podem fazer o número de casos explodir”, alertou o secretário.

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