Porto Alegre, 04 (AE) - O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Emílio Carazzai, admitiu hoje, "especulativamente", que as operações de varejo comercial da instituição poderiam ser transferidas ao Banco do Brasil dentro do processo de reestruturação do setor financeiro público em estudo pelo governo federal. Ele reiterou, entretanto, que não vê "nenhuma opinião relevante" no País em favor da privatização da Caixa.
"A CEF não é forte na área comercial", justificou Carazzai. De acordo com ele, ela serve apenas como "suporte" às operações principais da instituição, nas linhas de desenvolvimento urbano e de transferência de benefícios aos trabalhadores. "Não temos uma plataforma corporativa para atender a grandes empresas nem atuamos de forma pro-ativa junto aos setores de renda alta como é típico do segmento", acrescentou.
De acordo com Carrazai, dos R$ 79 bilhões em ativos de crédito da CEF apenas R$ 5 bilhões estão alocados na carteira comercial, sendo ainda R$ 4 bilhões junto a empresas do próprio setor da construção. Além disso, dos R$ 61 bilhões em depósitos totais contabilizados no passivo, apenas R$ 2 bilhões correspondem a depósitos à vista. Outros R$ 27 bilhões estão nas cadernetas de poupança e R$ 19 bilhões em depósitos judiciais.
Carazzai, que falou em uma reunião-almoço da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul), lembrou que a Caixa deve aplicar R$ 5,6 bilhões em financiamento habitacional este ano no País. Deste total, R$ 5,1 bilhões já estão assegurados e o restante depende de liberação do governo, prevista para setembro. Em 1998 o volume liberado alcançou R$ 4 7 bilhões.
Com esses recursos, a instituição pretende financiar 480 mil unidades habitacionais no Brasil em 1999, 15% acima das 418 mil do ano passado, a grande maioria ao longo do segundo semestre. De acordo com o presidente, o crescimento é maior no programa de crédito associativo, que financia imóveis na planta para as construtoras.
Ele revelou que existem 1.139 empreendimentos deste tipo em análise, que correspondem a 83 mil novas unidades habitacionais. Se todos forem aprovados, isso implicará um desembolso de R$ 3 bilhões, informou, sendo metade ainda ao longo deste ano.
Carazzai reafirmou que o balanço da CEF referente ao primeiro semestre, a ser divulgado até o dia 15 deste mês, será "positivo", semelhante ao mesmo período de 1998, quando o lucro alcançou R$ 182,3 milhões. Ele explicou que o índice de inadimplência deverá cair para menos de 5% ao longo do terceiro trimestre, depois de ter alcançado 9% na virada de fevereiro para março. "Houve um soluço de inadimplência, provocado por previsões catastróficas quanto à inflação e à conjuntura macroeconômica logo após a desvalorização do real, mas ele está num ciclo visível de reversão", afirmou.

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