Sid Sauer
De Campo Mourão
Cerca de 7 mil pessoas devem participar hoje da 9ª Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em Campo Mourão. A previsão é da Comissão Organizadora, que preparou 120 buracos no Parque de Exposição, na saída para Maringá. Cada buraco cozinha um tacho suficiente para atender 60 pessoas. Tudo com carne de carneiro, 10 tipos de legumes e até maçã. Apesar dos convites estarem sendo vendidos desde o mês passado, a organização garante que não faltará comida para quem vier de outras cidades e tiver que comprar os ingressos apenas hoje.
‘‘Temos uma reserva para visitantes de outros municípios’’, explica o secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Marcos Kunzler. Nas últimas edições da festa, pesquisas realizadas pela prefeitura mostraram que cerca de 30% das pessoas que provam o carneiro no buraco são de outras cidades.
Na última festa, por exemplo, foram registradas visitantes de outros estados e até mesmo de países próximos, como Paraguai e Argentina. ‘‘Nossa festa já extrapolou fronteiras’’, comemora Kunzler. Os convites custam R$ 8,00 (R$ 4,00 para crianças).
História Realizada pela primeira vez em 1991, graças às pressões da ‘‘Boca Maldita’’, a Festa do Carneiro do Buraco se transformou num dos maiores eventos gastronômicos do Estado e no principal símbolo de Campo Mourão. A história do carneiro no buraco, no entanto, é bem mais antiga. Ela começou no início dos anos 60, inspirada num filme de faroeste norte-americano.
Acontece que foi no cinema (provavelmente o Cine Império, um dos cinemas de Campo Mourão na época) que um trio de pioneiros assistiu um filme no qual apareciam vaqueiros preparando carne em cima de brasas, dentro de um buraco cavado no chão. Os amigos gostaram da idéia e resolveram adaptá-la usando carne de carneiro. Foi preciso muitas experiências, no entanto, para que o carneiro no buraco chegasse à fórmula atual, o que só aconteceu no final da década de 1980.
Aroma da terra O carneiro no buraco, durante muito tempo, tinha o buraco tampado com terra e folhas de bananeira. Só mais recentemente, com a evolução, é que foram criadas tampas apropriadas para cobrir os buracos. Mesmo assim, a terra continua sendo colocada sobre a tampa. O buraco, aliás, também tem que ser na terra, com 1,5 metro de profundidade e 1,15 de diâmetro. E não pode ser buraco quadrado, o que poderia gerar um cozimento desforme. Cozinhar o caneiro no buraco no fogão, então, nem pensar. Não funciona.
‘‘É preciso ter o aroma da terra’’, diz um dos maiores especialistas no preparo do carneiro no buraco, o fotógrafo e artista plástico Tony Nishimura. ‘‘Fiz experiências no fogão e os resultados foram desanimadores’’, conta. Apaixonado pela cozinha, Nishimura se transformou num profissional do carneiro no buraco e hoje percorre o Brasil preparando a iguaria. É tanto corre-corre que ele não tem mais tempo para participar da festa nacional, que desde o ano passado tem ficado por conta da Associação Panela, que também se especializou no prato.

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