São Paulo, 13 (AE) - O comportamento dos preços da carne e dos artigos de vestuário poderá comprometer a inflação de setembro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe). A expectativa inicial é que o índice feche em 0,30%. Mas o custo de vida poderá ficar mais próximo de 0,40%, se a cotação da carne continuar subindo por causa da entressafra e o preço do vestuário permanecer estável.
"A carne e o vestuário preocupam", disse o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, ao divulgar ontem o índice da primeira quadrissemana de setembro, que subiu 0,67%. Esse resultado é apenas 0,07 ponto porcentual menor que a inflação de agosto (0,74%).
Na primeira prévia do mês, o vestuário foi o único grupo que teve variação negativa no IPC da Fipe. Os preços médios das roupas caíram 2,07%. Na semana anterior, o recuo havia sido maior, de 2,88%.
Mesmo assim, a expectativa do economista é que os preços do vestuário encerrem setembro com queda de 2%. Heron não descarta a hipótese de estabilidade dos preços, o que não ocorre há muito tempo em setembro.
Outro foco de pressão viria da carne bovina. Os preços do produto subiram 1,47% na primeira quadrissemana de setembro, depois de ter aumentado 3,62% em agosto. "A carne está subindo menos", destacou Heron, ponderando que o produto poderá pressionar o índice em outubro e novembro. A diferença desta entressafra em relação à de outros anos é que não haverá importação de carne do Mercosul e a exportação do produto está aumentando.
Na primeira quadrissemana de setembro, os alimentos subiram 0,28%, apesar de o feijão ter ficado 14,05% mais caro. Na análise de Heron, a perda de fôlego nos preços da carne e do frango, que juntos respondem por 6,1% do IPC, compensou o efeito da alta do feijão, que pesa apenas 0,71%. "A alimentação voltou a segurar o IPC, apesar do feijão", disse Heron, destacando a queda de 1% dos produtos in natura, com a safra e a estabilidade das cotações dos alimentos industrializados.
Tarifas - A alta das tarifas e dos combustíveis continuou pressionando o IPC em setembro. Juntos, esses itens somaram 0,75 ponto porcentual de aumento e registraram variação superior à do IPC geral, de 0,67%. Descontado o efeito das tarifas e dos combustíveis, o IPC teria fechado a primeira quadrissemana com deflação de 0,08%.
Os grupos habitação, com alta 1,77%, e transportes, que subiu 1,21%, foram os que mais pesaram no índice porque são fortemente influenciados pelas tarifas e pelos combustíveis. A perspectiva é que as tarifas e os combustíveis aliviem o IPC nos próximos dois meses, a menos que o governo reajuste novamente o preço da gasolina. Na opinião de Heron, seria mais prudente que o governo deixasse o novo aumento para dezembro, caso contrário poderá provocar estragos na popularidade e na base política que dá sustentação para a aprovação das reformas.
A alta das despesas pessoais se acelerou, passando de 0 14% em agosto para 0,85% em setembro. A subida ocorreu por causa do reajuste da tarifa de ônibus intermunicipal e pelo reajuste dos artigos de papel, como toalhas.

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