Carne clandestina pode ter causado surto de toxoplasmose em Itapeva
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 17 (AE) - O surto de toxoplasmose que atingiu mais de 20 pessoas em Itapeva, no sudoeste do Estado de São Paulo, entre dezembro de 1998 e janeiro deste ano, pode ter sido causado pelo consumo de carne contaminada, segundo o Serviço de Vigilância Epidemiológica do município. De acordo com o médico veterinário Mário Ranzini Júnior, responsável pelo serviço de inspeção do Matadouro Municipal, mais de 70% da carne consumida pelos 85 mil moradores são provenientes de abates clandestinos. Os abates de bovinos e suínos são feitos em matadouros improvisados ou no campo, nas próprias fazendas.
A toxoplasmose é causada por um protozoário que incide no homem, outros mamíferos e aves, como os pombos domésticos. O contato com a carne dos animais infectados é uma das formas de transmissão. A doença afeta o sistema nervoso central.
O prefeito Wilmar Mattos (PSB) reuniu os açougueiros e alertou para os riscos da comercialização de carne de origem clandestina. Mas os comerciantes lembraram que o Matadouro Municipal, que abate cerca de 200 bovinos e 400 suínos por mês, também não atende as normas sanitárias. Além de mal localizado, pois está em local sujeito às inundações do Córrego do Aranha, o matadouro não possui lagoa de tratamento de resíduos orgânicos, conforme exige a legislação ambiental. A morte dos animais, a marretadas, é considerada pouco saudável. Com apoio dos açougueiros, o prefeito enviou projeto à Câmara para terceirizar o matadouro. A prefeitura está oferecendo uma área de 12 mil metros quadrados para a construção de um novo abatedouro.


