Carnavalescos fazem críticas ao desfile
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Ronaldo Soares, da Agência Estado, do Rio 
Agência EstadoPreparativosIndiferentes às críticas de alguns os responsáveis pelas escolas vão completando as alegorias para o desfileApesar das inovações que vêm sendo introduzidas no carnaval carioca, como a liberdade na escolha do enredo, sem a obrigatoriedade de temas nacionais - novidade desse ano -, o desfile das escolas do Grupo Especial continua sendo alvo de críticas dos carnavalescos. A maior parte dos carnavalescos das grandes escolas faz coro com Renato Lage, campeão no ano passado pela Mocidade Independente de Padre Miguel, que considera o atual desfile chato e repetitivo.
Para Milton Cunha, da Beija-Flor de Nilópolis, o carnaval atual é chato porque não é autoral. Se cada escola apostasse num estilo, num perfil próprio, seria um espetáculo mais variado e, por isso, mais interessante, argumenta. Na avaliação de Cunha, o carnaval carioca peca pela falta de pesquisas de soluções. Ele lembra que a Beija-Flor, no ano passado, fez um carnaval acrobático, em que um dos destaques foi a modelo Fafá Cunha (irmã do carnavalesco) desfilando suspensa num carro alegórico.
O carnavalesco lembra que vai aprofundar sua pesquisa esse ano, com o enredo A Beija-Flor É Festa na Sapucaí. Vou colocar contorcionistas em cordas hindus, ginastas olímpicos em argolas e a Fafá (Cunha) se equilibrando na língua de um demônio, que na verdade é uma grua que avança sobre o público, revela. Para Cunha, o carnavalesco tem de ter uma certa dose de ousadia para quebrar a monotonia do desfile. O regulamento é chato à beça; é tipo marcha militar, todo mundo tem de fazer igual.
Ilvamar Magalhães, da Portela, acha que a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) deveria ouvir os próprios carnavalescos antes da formulação do regulamentos. A Liga deve estar em comum acordo com a parte que trata da plasticidade do carvanal, defende. Para ele, o desfile no Sambódromo tem de sofrer modificações para não cair na mesmice e para continuar sendo um grande espetáculo. O carnavalesco Osvaldo Jardim, da Mangueira, vai além das críticas à Liga, e diz que a crise de qualidade no carnaval é normal, porque muitos não têm consciência do que estão fazendo ali.
Bi-campeã pela Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães discorda dos colegas e prega mais humildade entre os carnavalescos. O carnaval não é uma pessoa só, e sim um conjunto, diz ela. O carnavalesco não toca na bateria, não é mestre-sala, e sim uma pessoa numa engrenagem gigantesca. No entanto, Rosa considera a discussão saudável. Enquanto houver essa discussão, está bom, porque é sinal de que estamos evoluindo, afirma.
Os carnavalescos participaram ontem do lançamento do projeto Barracão/Backstage, que vai premiar integrantes das cinco primeiro colocadas no carnaval do Rio e das duas primeiras escolas de São Paulo com uma viagem a Nova York e Orlando, nos Estados Unidos, com direito a visita às produções da Broadway e oficinas da Disney.


