Agência EstadoPreparativosIndiferentes às críticas de alguns os responsáveis pelas escolas vão completando as alegorias para o desfileApesar das inovações que vêm sendo introduzidas no carnaval carioca, como a liberdade na escolha do enredo, sem a obrigatoriedade de temas nacionais - novidade desse ano -, o desfile das escolas do Grupo Especial continua sendo alvo de críticas dos carnavalescos. A maior parte dos carnavalescos das grandes escolas faz coro com Renato Lage, campeão no ano passado pela Mocidade Independente de Padre Miguel, que considera o atual desfile ‘‘chato e repetitivo’’.
Para Milton Cunha, da Beija-Flor de Nilópolis, o carnaval atual é ‘‘chato porque não é autoral’’. ‘‘Se cada escola apostasse num estilo, num perfil próprio, seria um espetáculo mais variado e, por isso, mais interessante’’, argumenta. Na avaliação de Cunha, o carnaval carioca peca pela falta de ‘‘pesquisas de soluções’’. Ele lembra que a Beija-Flor, no ano passado, fez um ‘‘carnaval acrobático’’, em que um dos destaques foi a modelo Fafá Cunha (irmã do carnavalesco) desfilando suspensa num carro alegórico.
O carnavalesco lembra que vai aprofundar sua pesquisa esse ano, com o enredo ‘‘A Beija-Flor É Festa na Sapuca풒. ‘‘Vou colocar contorcionistas em cordas hindus, ginastas olímpicos em argolas e a Fafá (Cunha) se equilibrando na língua de um demônio, que na verdade é uma grua que avança sobre o público’’, revela. Para Cunha, o carnavalesco tem de ter ‘‘uma certa dose de ousadia’’ para quebrar a monotonia do desfile. ‘‘O regulamento é chato à beça; é tipo marcha militar, todo mundo tem de fazer igual.’’
Ilvamar Magalhães, da Portela, acha que a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) deveria ouvir os próprios carnavalescos antes da formulação do regulamentos. ‘‘A Liga deve estar em comum acordo com a parte que trata da plasticidade do carvanal’’, defende. Para ele, o desfile no Sambódromo tem de sofrer modificações ‘‘para não cair na mesmice e para continuar sendo um grande espetáculo’’. O carnavalesco Osvaldo Jardim, da Mangueira, vai além das críticas à Liga, e diz que ‘‘a crise de qualidade no carnaval é normal, porque muitos não têm consciência do que estão fazendo ali’’.
Bi-campeã pela Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães discorda dos colegas e prega mais humildade entre os carnavalescos. ‘‘O carnaval não é uma pessoa só, e sim um conjunto’’, diz ela. ‘‘O carnavalesco não toca na bateria, não é mestre-sala, e sim uma pessoa numa engrenagem gigantesca.’’ No entanto, Rosa considera a discussão saudável. ‘‘Enquanto houver essa discussão, está bom, porque é sinal de que estamos evoluindo’’, afirma.
Os carnavalescos participaram ontem do lançamento do projeto ‘‘Barracão/Backstage’’, que vai premiar integrantes das cinco primeiro colocadas no carnaval do Rio e das duas primeiras escolas de São Paulo com uma viagem a Nova York e Orlando, nos Estados Unidos, com direito a visita às produções da Broadway e oficinas da Disney.

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