Rio - O próximo carnaval inaugura uma nova era para o desfile do Grupo Especial. Assim o atual diretor de Carnaval da Liga das Escolas de Samba (Liesa), Elmo Santos, define as modificações do regulamento em 2002. São detalhes pouco percebidos no varejo, mas que a longo prazo vão mudar a cara do espetáculo.
A luz e o tempo do desfile são as mudanças mais visíveis num primeiro momento. Até o ano passado, cada escola tinha entre 70 e 80 minutos para passar. Agora, são 85 minutos. Se nos anos anteriores houve escolas com menos de 3 mil pessoas, este ano a média fica entre 3.500 e 4.500 por agremiação.
A iluminação era reclamação comum desde a inauguração do sambódromo, há 19 anos. Segundo os carnavalescos, a luz fria apropriada para a transmissão pela televisão desfavorecia as cores das escolas. Um convênio com a Globo proporcionou a mudança. ‘‘Em vez daquela luz estática, as escolas serão iluminadas à medida que passarem’’, diz Santos.
A alteração mais polêmica diz respeito à sonorização do desfile, item crítico do sambódromo, que tem uma das piores acústicas da cidade. ‘‘Com o som no volume dos últimos desfiles, o público parou de cantar’’, explica Santos. ‘‘No desfile das campeãs, vamos desligar por alguns minutos o som das escolas que assim quiserem.’’
A medida encontra um rival forte, o carnavalesco da Grande Rio, Joãosinho Trinta. ‘‘Tentar voltar ao passado não dá certo. O sambódromo não tem estrutura para o desfile com o som desligado.’’ Já a mudança na iluminação era reivindicação antiga de Joãosinho.
A mudança na pontuação das escolas só trará efeitos nos próximos carnavais e partiu do novo presidente, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Este ano, a pontuação vai de 7 a 10 e poderá ser dividida em decimais (até 2001, só era permitida nota inteira ou meia, indo de 0 a 10).
As notas dos quatro jurados de cada um dos dez quesitos serão levadas em conta (até aqui, um deles, sorteado na apuração, era desprezado) e, somados todos os pontos, apenas a última colocada cai para o Grupo de Acesso A, que mandará também só uma agremiação para o Especial. ‘‘Agora, a competição fica mais acirrada e mais interessante’’, diz Santos.

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