Nem todos estão preparados para a verdadeira maratona que costuma ser o Carnaval brasileiro. Nas festas de rua, a ingestão de bebida alcoólica, a má alimentação e os longos trechos percorridos a pé - pelas escolas de samba e pelos blocos de rua - podem deixar os foliões debilitados, com o sistema imunológico abalado.
''Durante os quatro dias ou até uma semana de folia, a pessoa que não se alimentar direito, se hidratar, dormir cerca de oito horas por dia, acaba expondo a sua saúde a diversos perigos'', alerta o médico infectologista Artur Timerman.
Os riscos são ainda maiores para aqueles que não dispensam conhecer novas pessoas e experimentar beijos sem compromisso. Durante um beijo na boca, junto com as trocas naturais de saliva, ácidos e microorganismos que fazem parte da flora bucal pode acontecer também troca de bactérias e vírus causadores de doenças, como gengivite, cárie, amidalite, faringite, mononucleose (conhecida como doença do beijo) e até meningite.
As possibilidades crescem ainda mais quando o número de parceiros beijados também aumenta. Um estudo recente realizado pelo Instituto de Sa© úde Infantil de Londres e pela Agência Britânica de Proteção Sanitária concluiu que as chances de se contrair meningite entre os jovens que beijam várias pessoas é quatro vezes maior do que a média. ''Trocar beijos com várias pessoas, somado a um cenário de baixa imunidade, aumenta ainda mais a exposição a seres de alta virulência. Isso sem falar das doenças sexualmente transmitidas'', alerta Timerman.
No ambiente dos salões de bailes de Carnaval, o médico especialista em imunidade alerta que estão reunidos riscos do verão e do inverno. ''Aglomerações em locais fechados podem acarretar em infecções do trato respiratório'', afirma Timerman. Esse aviso serve para todos os tipos de ambientes fechados com alta concentração de pessoas. A quantidade de bactérias e outros seres que podem transmitir doenças também fica alta e aqueles que estiverem com o sistema imunológico enfraquecido, tornam-se vítimas fáceis desses males.
O consumo de bebidas em lata também aumenta neste período e dependendo das condições de higiene e armazenamento aumentam o risco de contaminação devido a proliferação de bactérias. ''As latas devem ser lavadas antes do consumo. Também deve-se estar atento à procedência dos preservativos que podem ser falsificados ou contrabandeados. Dê preferência para produtos certificados com registro do Ministério da Saúde'', orienta Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC)
Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde mostra que 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de doenças sexualmente transmissíveis (DST) como sífilis, HPV, gonorréia e herpes genital. São, no total, 6,6 milhões de homens e 3,7 milhões de mulheres. Segundo o órgão, 18% dos homens e 11,4% das mulheres não procuram nenhum tipo de tratamento. As complicações dessas doenças aumentam em 18 vezes o risco de infecção pelo vírus HIV, diz a pesquisa.

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