Rio- Sinônimo de festa e consolidado como fonte de emprego e renda, o Carnaval ganhou novo significado para um grupo de 100 pessoas que diferem em idade, ambições profissionais e nível educacional. Em comum, todos estudam a poucos metros da Marquês de Sapucaí, no centro do Rio de Janeiro, onde desfilam as escolas de samba. Juntos, formam as duas primeiras turmas de um curso universitário inédito no País, voltado para a gestão dos eventos carnavalescos.
Iniciado em outubro, o curso é sonho antigo de gente como o pesquisador de Carnaval Hiram Araújo, e atraiu a atenção até de quem jamais pensou em trabalhar na área. Para quem já nasceu entre as lantejoulas dos barracões das escolas e são mestres na arte de montar um dos maiores espetáculos do País, a iniciativa é um caminho para a teoria. Nas aulas, história da arte e do Carnaval, cultura brasileira, matemática financeira, antropologia e técnicas de pesquisa e documentação.
''A universidade sempre foi preconceituosa com o estudo do Carnaval. Eu reclamei muito disso, pois é um assunto que faz parte da formação da nossa história, do nosso povo'', observa Araújo, que é professor e coordenador do curso e diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). ''Hoje, o Carnaval constitui uma indústria que, só no município do Rio, emprega mais de 300 mil pessoas. É importante existir uma qualificação universitária.''
A idéia, segundo ele, é transformar a graduação de curta duração, de dois anos de estudo, em uma pós-graduação em Carnaval, ampliando a formação superior. ''Para aperfeiçoarmos a festa que hoje mobiliza em torno de 50 mil pessoas, é fundamental investir também na teoria'', avalia o pesquisador, que se diz empolgado com as aulas, ministradas em dois campus da Universidade Estácio de Sá, uma na Praça 11, no centro, e outra em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Na sala de aula, o entusiasmo se repete. Formado em Belas Artes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Leandro dos Anjos, de 22 anos, nem pensou duas vezes quando ouviu falar do curso. ''Achei que seria uma ótima oportunidade ter uma formação mais voltada para o mercado do Carnaval. Tenho interesse em trabalhar na área'', diz ele, que tem um pé, ou melhor, as duas mãos, dentro da quadra de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio. O ritmista da bateria da Portela quer dominar outras áreas, como produção de fantasias e carros alegóricos.

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