O grande espetáculo das Escolas de Samba, os trios elétricos baianos, o frevo pernambucano, os bailes de salão. De norte a sul, o Brasil respira Carnaval e, juntamente com o futebol, a festa se tornou o símbolo internacional do País. Em quase quatrocentos anos de história, a maior comemoração popular do mundo passou por inúmeras transformações. No Brasil, acabou tão miscigenada quanto o próprio povo. Hoje, para a festa que chegou ao País através da colonização portuguesa, são fundamentais ginga e samba no pé.
Os primeiros sinais do que seria o Carnaval verde-amarelo surgiram com a festa portuguesa denominada entrudo, que desembarcou no País no século XVII. Os foliões atiravam água com limão uns nos outros e se lambuzavam com farinha e bexigas d’água. Alguns mais eufóricos lançavam pedras e dejetos. Durante a Colônia e o Império, o entrudo foi proibido inúmeras vezes. Consta que Dom Pedro II gostava de jogar água nos nobres, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.
Em 1834, os jornais destacavam em suas manchetes a venda das primeiras máscaras carnavalescas nas lojas da Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. O primeiro baile aconteceu em 1840, no Hotel Itália, no Rio, ao som de valsas, quadrilhas e habaneras. Em 1845, os ricos aderiram à polca tcheca, enquanto os negros dançavam jongo. Em 1848, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, reuniu um grupo de amigos e saiu pelas ruas da cidade maravilhosa tocando bumbo, no que provavelmente foi o primeiro bloco de rua.
A elite definitivamente renegara o entrudo por considerá-lo atrasado. Intelectuais e burgueses foram buscar na Europa a nova fórmula. Eram os préstitos, desfiles de carros enfeitados, dos quais só participava a alta sociedade.
Décadas depois, em 1892, o confete chegou ao Brasil para substituir os objetos atirados no entrudo e os foliões passaram também a jogar serpentina em vez de flores nos carros alegóricos.

mockup