Curitiba Uma festa tão alegre e colorida como o Carnaval é a proposta para quebrar a rotina de asilos e casas-lares de Curitiba. Na terra que se transforma, nesta época do ano no império de Momo, não existe segredo para criar um clima caranavalesco: máscaras, fantasias, brilho, pandeiro e chocalho, além é claro de famosas marchinhas. Com todas canções na ponta da língua e muito entusiasmo, os moradores dos estabelecimentos se entregam à celebração da festa e ao saudosismo dos bailes dos tempos da mocidade.
O maestro dessa comemoração é o programa municipal Linha do Lazer, formado por estagiários de Educação Física e coordenadoras da Secretaria de Esporte e Lazer. O trabalho iniciado ontem segue até amanhã em oito asilos, e faz ainda uma paradinha para alongamentos e recreação atividades já realizada pelo pelo programa toda quarta-feira. ''Linha do Lazer já existe há 13 anos e sempre fazemos comemorações de acordo com a época do ano. É importante para resgatar a auto-estima e permitir a inclusão social deles'', explica Liliane Laçone, coordenadora do programa.
Decoradas com confetes e serpentinas, a idéia é que as casas reproduzam os antigos bailes de Carnaval. Na Casa de Repouso Yohana, no Jardim Botânico, 20 idosos, com a média de 80 anos, caíram na ''gandaia''. ''Eu costumava frequentar os bailes do Clube Pontagrossense e fazia uma tremenda algazarra. Agora fico cansada, mas ainda sei as marchinhas na ponta da língua. Se me colocar na frente do bloco, eu dou conta'', brinca a extrovertida Josefina Freithas, de 90 anos, segurando um chocalho e enfeitada com plumas no pescoço.
Também empolgados estavam os moradores Osvaldo Leone, 83 anos, e Lucy Machado, 86. Usando perucas e óculos escuros, eles entoavam juntos marchinhas como ''Careca do Vovô'', ''Me dá um Dinheiro Aí'' e ''Mamãe eu Quero''. ''Brinquei muito Carnaval no Clube Curitibano na década de 1940. Saía sempre fantasiada de índia e havaiana. Foi num desses bailes que conheci meu marido'', recorda Lucy, que conheceu o Carnaval do Rio de Janeiro, em 1976, e ficou encantada com as escolas de samba.
Ainda na parte da manhã, a equipe seguiu até o Asilo Santa Clara, no mesmo bairro, fundado em 1953. Lá, o Linha do Lazer bate ponto há 10 anos. Na casa, aguardavam 30 moradores, entre 60 e 97 anos. ''Brinquei muito na minha juventude, nas prévias da sociedade curitibana. Eu gostava mais do Carnaval da minha época, porque eu era mais nova e as músicas eram melhores'', pondera Mariza de Souza, de 66 anos. ''Eu me fantasiava de Colombina e usava meus cabelos compridos soltos. Foi o suficiente para arrumar muitos pretendentes'', conta a risonha moradora.

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