Carnaval acirra rivalidade entre Rio e SP2/Mar, 20:38 Por Cecília Negrão São Paulo, 02 (AE) - A rivalidade entre o carnaval do Rio e São Paulo ganha este ano um quesito a mais. Como o tema de todas as escolas será em homenagem à história do País, a comparação entre elas se transforma em um bom motivo para a disputa. Opiniões diversas esquentam o carnaval e até a comemoração dos 500 anos do Brasil é motivo de rixa. As escolas de São Paulo pretendem mostrar que evoluíram. E poderão fazer isso a partir de amanhã (03), quando começa o desfile no sambódromo paulistano. Já os cariocas querem confirmar sua superioridade. O presidente da bicampeã paulista Vai-Vai, Sólon Tadeu Pereira, aposta na falta de organização dos cariocas este ano. Ele diz que o carnaval do paulistano é para a comunidade. "Aqui não é o túmulo do samba", referindo-se à frase do poeta Vinícius de Morais. O presidente diz que o Rio perdeu a capital federal para Brasília, a hegemonia do futebol e agora vai perder a liderança do carnaval. Para o Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Sidnei Carriuolo, não há a necessidade de comparação. "Temos uma bandeira única que é o samba", afirma. Ele acredita na troca de experiências entre Rio e São Paulo. "Com um bom samba, quem sai ganhando é o Brasil". Integração - Mas nem todos alimentam essa rivalidade. Exemplos de integração das escolas das duas cidades vêm da Estação Primeira de Mangueira. Apesar de mangueirenses históricos terem criticado o samba escolhido para o carnaval de 1998 - três de seus quatro autores são paulistas, figuras tradicionais, como Dona Neuma e Xangô da Mangueira, diretor de harmonia há 56 anos da Verde-e-Rosa, apostam no carnaval e no samba de São Paulo. Se dependesse de Dona Neuma, o primeiro lugar deveria ser dividido entre todas as escolas. "A confraternização é a melhor opção". Opinião parecida tem Xangô. Para ele, a diferença entre as escolas é positiva. "Cada uma tem uma história". O sambista orgulha-se de ter batizado a harmonia da escola Nenê de Vila Matilde há dois anos e acredita na evolução do samba paulista. História - O casamento entre Rio e São Paulo é anterior aos desfiles de escolas. Beth, por exemplo, desfilou mais de uma vez na Vai-Vai, do Bexiga. Em 1991, ela gravou o CD "Beth Carvalho Canta o Samba de São Paulo", que homenageia em suas 25 faixas paulistas de várias gerações, de Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa a representantes da nova safra, como Mário Sergio, Carica e Luisinho SP. Lecy, por sua vez, gravou em 1987 o disco "Me Perdoa, Poeta", no qual conta a trajetória do samba em São Paulo. As músicas citam dona Sinhá, seu Nenê, Zeca da Casa Verde, Geraldo Filme e Pé Rachado, alguns dos principais personagens do gênero no Estado. Dona Ivone gravou em 1997 o CD "Bodas de Ouro", no qual, pela primeira vez, interpreta parcerias com paulistas. É o caso de "Acreditar", com Adriana Ribeiro, e "Alvorecer", com Netinho, do Negritude. Na década de 30, o paulista Oswaldo Gogliano, o Vadico, compôs com Noel Rosa pérolas como "Conversa de Botequim" e "Feitiço da Vila". A parceria de Noel com Vadico, nascido no Brás, foi aplaudida por Vinícius de Morais. Anos depois, ele convidou Vadico para gravar a música "Sempre a Esperar".