Rio, 21 (AE) - O cineasta e jornalista Carlos Niemeyer, de 78 anos, criador do "Canal 100", noticiário esportivo do cinema, foi enterrado hoje pela manhã no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. Pelo menos cem pessoas acompanharam o enterro e prestaram homenagens ao cineasta, entre elas, algumas cantando o "Hino do Flamengo", time pelo qual Niemeyer tinha paixão, além do cimema. "Ele morria no momento em que o Flamengo conquistava um título importante e, hoje, se estivesse vivo, estaria radiante", disse o fotógrafo Francisco Torterra, referindo-se à conquista da Copa Mercosul pelo rubro-negro.
Há cerca de um mês e meio, Carlinhos Niemeyer - como era carinhosamente chamado pelos amigos - foi internado na Clínica São Vicente, na zona sul do Rio, com insuficiência renal. De acordo com a família, a doença seria resultado de um mal que não conseguiu ser diagnóstico, apesar de o cineasta ter sido submetido a uma bateria de exames, mas sem sucesso. "Ele vinha sofrendo muito, mas, assim mesmo, não reclamava de nada", recordou o carnavalesco Fernando Pamplona e amigo do cineasta por mais de 40 anos. Carlinhos Niemeyer morreu ontem (20) à noite.
Apaixonado por cinema e futebol, o cineasta fez um casamento perfeito ao registrar a emoção das partidas com as câmeras e transformar os jogos em verdadeiros espetáculos exibidos por meio do "Canal 100" em todos os cinemas do Brasil
entre 1959 e 1986. "Ele foi figura muito importante", afirmou
emocionado, o primo do cineasta, o arquiteto Oscar Niemeyer.
"Carlinhos foi feliz e soube viver." A outra faceta do cineasta era a boemia. "Carlinhos era um verdadeiro promotor de bailes", relembra, com nostalgia, o presidente do Clube dos Cafajestes, o jornalista e ex-deputado estadual Mário Saladini (PTB).
Na década de 40, o cineasta fundou, junto com cerca de 40 amigos, o Clube dos Cafajestes, que ficou conhecido ao patrocinar os famosos Bailes do Caju Amigo, que reunia a boemia carioca em casas alugadas na zona sul do Rio.

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