Carlos Jereissati entra com 2 ações contra Barros
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 12 (AE) - O presidente do Conselho de Administração da Tele Norte Leste, Carlos Jereissati, entrou com uma ação cível, por danos morais, e outra criminal, por difamação e injúria, contra o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros.
As ações foram motivadas pelas declarações dadas por Barros, em 1998, de que Jereissati era suspeito de divulgar as conversas telefônicas dele gravadas ilegalmente no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) - provocando a saída do ex-ministro do governo.
A queixa-crime contra Barros foi interposta hoje pelo advogado Técio Lins e Silva, no Supremo Tribunal Federal (STF), fórum ao qual o acusado tem direito, pelo cargo que ele ocupava quando teria praticado os delitos. "O corretor, na época, era ministro", lembrou Jereissati. Na ação, ele pediu que Barros seja condenado três vezes por difamação (o que daria uma pena de nove meses a quatro anos e meio de prisão) e duas vezes por injúria (caso em que a pena variaria de dois meses a dois anos). O advogado de acusação explicou que as suspeitas foram levantadas mais de uma vez pelo ex-ministro.
A indenização pedida na ação cível por dano moral, interposta na Justiça estadual em São Paulo, na quarta-feira (10), é de R$ 15 milhões. No entanto, o valor a ser pago, no caso da condenação, vai ser fixado pelo juiz. Até a tarde de hoje, o advogado Rubens de Oliveira Filho, representante do empresário na ação, ainda não tinha a informação de qual vara havia recebido o processo.
Antes de dar entrada com a queixa-crime, Silva havia pedido no STF uma interpelação ao ex-ministro das Comunicações, para que ele explicasse as declarações dadas na imprensa, responsáveis pela ação. O ex-ministro respondeu que não tinha provas materiais do que disse, apenas uma suspeita, segundo Silva.O advogado disse que a explicação é uma "desculpa cínica" e só agrava a ofensa feita contra o empresário.
Silva disse que o processo deve ter uma rápida tramitação, em comparação com outros processos no Supremo. Ele afirmou que a acusação não pediu que se ouçam testemunhas, contentando-se a usar como prova as declarações publicadas e a explicação sobre elas dada pelo acusado. O advogado de Jereissati esperava hoje que o relator da ação fosse o ministro Maurício Corrêa, ex-ministro da Justiça no governo Itamar Franco (PMDB), também responsável pela interpelação judicial a Barros.


