Carlópolis tem 10 casos de leishmaniose
Luciane Tonon
A Secretaria de Saúde de Carlópolis (80 km ao sul de Jacarezinho), está fazendo um alerta à população sobre os cuidados contra a leishmaniose, também conhecida como úlcera de Bauru. No mês de maio, o município registrou 10 casos. Palestras em escolas e orientações nos postos de saúde passaram a ser frequentes nos últimos dias. A média anual da 19ª Regional de Saúde, que abrange 21 municípios, é de 20 a 25 casos.
O número de Carlópolis ainda não é assustador e também não é considerado surto, mas temos que prevenir, com a conscientização da comunidade, explicou a chefe do setor de epidemiologia da Vigilância Sanitária de Carlópolis, Maria de Lourdes Lopes. Segundo ela, o tipo de Leishmaniose Tegumentar Americana, que está atacando em Carlópolis, não é característica da região e, sim, de São Paulo. Por isso é reconhecida como úlcera de Bauru.
A proliferação, segundo Maria de Lourdes, se deve ao desmatamento da região. O causador é conhecido como mosquito-palha. A aproximação dele na cidade é culpa do próprio ser humano, que está acabando com o meio em que vive o mosquito, afirmou Maria de Lourdes.
Ela disse ainda que a leishmaniose encontrada na região caracteriza-se por nódulos ulcerativos na pele, com bordas endurecidas, salientes e fundo granuloso, que podem, em alguns casos, resultar em lesões na mucosa (membrana que reveste as cavidades do organismo).
A secretária de Saúde do município Maria de Lourdes Falaz garante que a situação está sob controle. O medicamento necessário, chamado glugantime, que é caro, tem sido doado pelo Estado e os resultados de cura são visíveis, informou. Segundo ela, a leishmaniose começou a aparecer em Carlópolis em 1995, com seis casos. Em 1996 apareceram 12, e, em 1997, o número subiu para 18. Já em 1998 nenhum caso foi registrado. No mês de maio apareceram todos esses, disse a secretária.
O caso mais complicado registrado pela Secretaria de Saúde é o da dona de casa Maura Menezes Lopes, 34 anos, que está grávida de seis meses e não pode tomar a medicação específica. O tratamento consiste em 80 injeções de glugantime. Não posso tomar por causa das reações do remédio. Ataca o fígado, tira fome e o sono, disse Maura.
Ela contou que levou a picada há seis meses. Começou a ter diarréia, febre, dor de cabeça e de estômago durante três dias. Quando fui fazer o pré-natal o médico suspeitou, disse. Um exame confirmou a doença. Hoje a doença está estabilizada em Maura, justamente pela gravidez. Porém, ela diz que não tem condições financeiras para fazer um tratamento fora da cidade. Por enquanto, Maura foi encaminhada para Jacarezinho, mas futuramente deverá ir para São Jerônimo da Serra, onde o Hospital Humânitas possibilita tratamento específico.Secretaria da Saúde informa que total de casos ainda não caracteriza surto, mas alerta população para evitar avanço da doença
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