Carli Filho é condenado por duplo homicídio com dolo eventual
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
José Marcos Lopes <br> Especial para FOLHA 

Acompanhe em tempo real
CONDENAÇÃO (17h10)
Juiz começa ler a sentença. Carli Filho é condenado por duplo homicídio e dolo eventual. Nove anos e quatro meses em regime fechado de reclusão.
SESSÃO SUSPENSA (16h33)
Juiz Daniel Avelar lê as perguntas para os jurados, que preferiram não pedir esclarecimentos. Agora, as cinco mulheres e dois homens se reúnem em uma sala especial para responder os quatro questionamentos, que vão basear o veredito do magistrado. Dolo do caso é a principal questão de embate entre acusação e defesa.
FIM DA TRÉPLICA (16h29)
Brezinski Neto pede para os jurados deixarem de lado qualquer "preconceito" contra o ex-deputado. Além disso, ele reforçar a versão do acidente de trânsito. "Agora, se o Honda Fit tivesse respeitado a lei, essa tragédia não teria acontecido".
VOLTAS (16h22)
Enquanto Assad retorna ao júri, Brezinski Neto volta a repetir que o Passat de Carli Filho trafegava na faixa à direita. Tanto a acusação quanto a defesa reforçam os argumentos utilizados na parte da manhã na tentativa de convencer o júri.
CAFEZINHO (16h16)
Elias Assad interrompe advogado de defesa e acaba sendo advertido pelo juiz. Depois disto, o advogado da família Yared deixa o júri para tomar um café.
RACHA (16h10)
Assim como argumentou no período da manhã, Brezinski Neto volta a falar que foi "criada uma história de racha" para tentar caracterizar o dolo eventual.
TROCA NA DEFESA (16h08)
Após cerca de 30 minutos, Silvério termina sua fala e passa a palavra para o outro advogado de defesa, Roberto Brezinski Neto.
CULPOSO (16h05)
"O homicídio de que estamos tratando é culposo", defende o advogado após a exibição de um vídeo em que um policial fala que recolheu cacos de vidros, o que segundo o advogado, seria um indício de que a colisão foi lateral.
POLÍTICA (16h03)
"Ele foi deputado, querem usá-lo como exemplo do que não deve ser. Se condenarmos alguém por este motivo, afundou a democracia", argumentou o advogado.
IMPRUDÊNCIA, SIM. DOLO, NÃO (15h59)
"Ele causou a morte das vítimas? Sim. Decorrente de imprudência? Sim. Não temos aqui a questão que poderia suscitar o decantado dolo eventual", afirma o advogado de defesa Alessandro Silvério
DISCUSSÃO ENTRE AS PARTES (15h50)
Advogado de defesa discute com Elias Assad, que representa a família Yared. O motivo da debate é o dolo eventual, principal assunto debatido no dia, que será definido pelos jurados. A condenação já foi pedida por ambos, mas a intenção de matar ou não é o ponto de maior polêmica no debate.
ACIDENTE (15h45)
Defesa afirma que fato pode ser considerado como um acidente de trânsito. "Laudo é categórico em dizer que a colisão não é traseira, é lateral. A conversão ainda não tinha sido completada. É um caso clássico de acidente de trânsito", declarou o advogado Alessandro Silvério.
COMEÇA A TRÉPLICA DA DEFESA (15h37)
Com a palavra o advogado Alessandro Silvério.
FIM DA RÉPLICA (15h20)
Promotor Paulo de Lima entra na questão de maior embate entre acusação e defesa e pede a condenação do réu com intenção de matar. "O dolo eventual não é extraído da mente do autor, mas das circunstâncias".
TRÂNSITO (15h12)
"No trânsito, todos nós podemos ser vítimas. Temos que dar um basta nisso. Bebida e trânsito não combinam. Esse não é um acidente de trânsito qualquer", disse o promotor Paulo de Lima
ATAQUE AO PERITO CONTRATADO (14h59)
O promotor criticou a análise apresentada na terça-feira pelo perito contratado pela família Carli. "Se não é um balcão de negócios, é um perito muito 'jaguara', como se diz em Curitiba".
PROFANAÇÃO (14h52)
"O fato de querer dizer que as vítimas são culpadas é uma profanação", criticou Lima, que apresentava outras imagens do veículo Honda Fit com teto destruído e os pneus estourados do Passat de Carli Filho. Ele ainda utiliza um mapa do local, com informações do DER, para explicar que a inclinação da pista possibilita a decolagem.
DECOLAGEM (14h40)
Promotor afirma que batida traseira fez o veículo das vítimas levantar. "O laudo diz que Passat decolou 98 centímetros", apontou. "Reduziram a velocidade, agiram com cautela, enquanto, o réu passou direto", avaliou. Em seguida, ele mostra imagens do carro parando no cruzamento e contesta defesa.
LOCAL PRESERVADO (14h32)
Promotor Paulo Marcowicz de Lima afirma que local foi preservado e que corpos só foram retirados depois da Polícia Civil chegar ao local. Ele mostra os autos com imagens do teto arrancado do veículo.
ADVOGADO DA FAMÍLIA ALMEIDA (14h25)
O advogado Juarez Küster abre os trabalhos da réplica da acusação. "A decolagem é óbvia o teto do Honda sumiu. Houve uma decapitação e essas provas se tornam inquestionáveis. Ouvi sugestões de que só há dolo se houver racha. Temos uma velocidade indiscutível, velocidade de racha", rebateu o representante da família de Carlos Murilo de Almeida.
RECOMEÇA O JULGAMENTO (14h20)
Juiz reabre a sessão. Ministério Público terá uma hora para réplica. Na sequência, defesa tem o mesmo período para tréplica.
RESUMO DA MANHÃ DE HOJE
O segundo dia do julgamento começou com o debate entre acusação e defesa. Ambos pedem a condenação de Carli Filho, no entanto, a divergência está na questão do dolo eventual. Ou seja, se o ex-deputado teve ou não intenção de matar Gilmar Rafael Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, em acidente de trânsito em maio de 2009.
A acusação argumenta que Carli Filho bebeu antes de dirigir e estava em altíssima velocidade. Por isso, ele teria assumido o risco. "O Gilmar tinha 1,98 de altura. Alguma coisa passou na altura do seu pescoço. Uma guilhotina vinda por trás. Ele (Carli Filho) era o carrasco", afirmou o promotor Marcelo Balzer. Além disso, a tentativa de culpar as vítimas foi criticada pela acusação. "A tese da defesa não para em pé, como não parava em pé este homem ao sair do restaurante", disse o assistente da promotoria, o advogado da família Yared, Elias Assad.
Já a defesa procurou mostrar aos jurados que o veículo cruzou na frente do carro conduzido pelo ex-deputado, enquanto um outro automóvel parou no cruzamento. "A defesa quer a condenação de Carli Filho. Não absolvam o Carli Filho, condenem o Carli Filho, mas pela contribuição que ele deu ao resultado naquele cruzamento", afirmou Roberto Brezinski Neto. O advogado Alessandro Silvério defendeu que só existe dolo no caso de racha ou roleta russa e argumentou que o ex-deputado foi imprudente. "Excesso de velocidade e influência do álcool são exemplos clássicos de imprudência. Imprudência, o que é? É a culpa em sua forma mais clássica". A expectativa é que o veredito do juiz seja anunciado no final da tarde desta quarta-feira (28).
RECESSO (13h09)
No encerramento, defesa pede a condenação do réu por homicídio culposo (quando não se tem a intenção de matar). Recesso para o almoço deve durar aproximadamente 1 hora. No retorno, está programado a réplica da acusação e a tréplica da defesa. Depois disso, os jurados se reúnem para responder a quatro perguntas que vão basear o veredito do juiz.
AOS JURADOS (13h07)
"Os senhores se colocariam em qual posição, do Leandro (testemunha), que para ou do veículo Honda Fit?", questiona o júri a defesa.
DEFESA PEDE A CONDENAÇÃO (13h04)
"A defesa quer a condenação do Carli Filho. Não absolvam o Carli Filho, condenem o Carli Filho, mas pela contribuição que ele deu ao resultado naquele cruzamento", afirmou Brezinski Neto.
CRUZAMENTO EM DEBATE (13h)
Defesa exibe vídeo de depoimento de testemunha à polícia confirmando que parou veículo no cruzamento e que o Honda Fit das vítimas "deu uma seguradinha".
CÂMERAS (12h52)
Defesa mostrou gravação de câmeras de trânsito. Segundo o advogado, o motorista Leandro - testemunha no caso - para e olha para a direita e vê o veículo do então deputado. "Por que o Honda Fit dá uma segurada e entra?", questiona. Na sequência, Brezinski Neto pede a condenação de Carli Filho por não ter parado no sinal amarelo, na tentativa de desqualificar o homicídio doloso.
BATE-BOCA (12h48)
Brezinski Neto dispara contra advogado da família Yared, Elias Assad. "Na hora de falar com a imprensa o senhor é bom". Assad grita em resposta: "A inveja é o maior produto que move o sucesso".
TENSÃO ENTRE DEFESA E PROMOTORIA (12h41)
Defesa acusou Ministério Público de ter errado, propositalmente, a indicação do perito oficial. "Não posso conceber que um promotor de Justiça indique um perito oficial de forma errada. Arrolaram errado de propósito. Eles não querem discutir a prova pericial. Eles têm medo de discutir a prova", acusa Brezinski Neto.
IMPRENSA (12h37)
Os advogados de defesa atacam a imprensa. "Manipuladores da verdade!"
DOCUMENTOS RASGADOS (12h34)
Brezinski Neto rasgou alguns papéis diante do júri. "Isso aqui não serve pra nada", disse ao rasgar um requerimento da promotoria enviado à Prefeitura de Curitiba que perguntava sobre radares na via
'INFELIZMENTE, MOTORISTA NÃO PAROU' (12h25)
O advogado Roberto Brezinski Neto defende que o motorista do Honda Fit não parou. "Por que não se falou isso?", questionou. "Contratou-se uma agência de publicidade sob o slogan "190 é crime" para tornar o fato mais grave do que é", rebateu. Na avaliação dele, o Código de Trânsito Brasileiro diz que em caso de sinal intermitente no cruzamento o "condutor deve diminuir dando a preferência a quem vem da direita". De acordo com o advogado, inventaram sobre o racha, pois "racha é caso de dolo".
CRUZAMENTO (12h20)
Defesa alega que as vítimas não pararam e o acidente foi no cruzamento. "Como pode ter intenção de matar alguém, se o resultado depende do comportamento de outra pessoa?", disse Silvério ao encerrar sua fala. Agora, o outro advogado de defesa, Roberto Brezinski Neto, segue com argumentação.
ACIDENTE (12h19)
Silvério lembra de acidente da Gol com a morte de 156 pessoas na queda do avião em 2006 após choque uma pequena aeronave. "Como o Ministério Público Federal denunciou? Homicídio culposo. Não podemos analisar esse caso pela consequência. Isso é um acidente de trânsito".
IMPRUDÊNCIA (12h13)
"Excesso de velocidade e influência do álcool são exemplos clássicos de imprudência. Imprudência o que é? É a culpa em sua forma mais clássica", defendeu o advogado Alessandro Silvério, que tenta convencer o júri que Carli Filho não teve a intenção de matar.
DEFESA LEMBRA CASO DE PROMOTORA DE LONDRINA (12h05)
Defesa de Carli Filho mostrou vídeo de uma promotora de Londrina, que bateu o carro após beber. "No caso dela, a lei foi aplicada corretamente", afirmou. "Ele (Carli Filho) tinha certeza do resultado? Então, qualquer que dirigir acima da velocidade cometerá um dolo", argumentou.
"Só há dois casos de dolo eventual em trânsito, racha e roleta russa", acrescentou.
'É CULPA, NÃO DOLO' (12h00)
Para advogado, Carli Filho não tinha conhecimento "do curso causal". "Como posso agir com dolo eventual se coloco minha vida em risco?", questionou. "Isso daqui é culpa, não é dolo", argumenta na tentativa de desqualificar a denúncia por dolo eventual.
DOLO VOLTA AO DEBATE (11h55)
"Ele é inocente? Não sou hipócrita. Ele tem que ser condenado, mas não por homicídio doloso. Se ele estivesse a 220 km/h as vítimas teriam morrido? Não, ele teria passado antes. Dolo é vontade", argumenta o advogado de defesa Alessandro Silvério.
LÁGRIMAS (11h45)
Ex-deputado Carli Filho chora na retomada do julgamento no momento em que sua defesa apresenta os argumentos ao júri.
JULGAMENTO RECOMEÇA (11h42)
Com a palavra o advogado de defesa Alessandro Silvério.
DEFESA (11h24)
Após o encerramento da acusação, defesa vai apresentar seus argumentos depois do recesso.
DEPUTADO VOADOR (11h17)
Na avaliação de Assad, se Carli Filho for absolvido "vai liberar geral". "Vão acontecer mais mortes por aí", disse. "A Justiça está errada. Só ele, o deputado voador está certo", criticou o advogado no encerramento de sua fala.
VERGONHA NACIONAL (11h10)
"Uma vergonha nacional que um deputado nos fez passar. A tese da defesa não para em pé, como não parava em pé este homem ao sair do restaurante", disse o advogado da família Yared. Assad afirmou que réu deve passar pela "pedagogia da Justiça".
CULPAR AS VÍTIMAS (11h05)
"Na minha ótica esse salto (do carro) foi planejado, como ele deve ter feito outras vezes. A defesa, covardemente, sempre tentou culpar as vítimas", criticou Assad. O advogado ainda atacou o perito da defesa. "Um péssimo ator veio aqui ontem. Veio de São Paulo achando que aqui tem um bando de caipiras. A UFPR é a universidade mais antiga do Brasil".
"A rua, na cabeça dele, era dele. Todas as ruas eram dele. A cidade era dele, o Estado era dele e dane-se o resto", acrescentou.
ADVOGADA DA FAMÍLIA YARED (10h57)
Com a palavra, o advogado Elias Mattar Assad, assistente da acusação. Ele é advogado da família Yared.
PROMOTOR CHAMA CARLI FILHO DE 'CARRASCO' (10h51)
"O laudo cadavérico mostra que o carro foi atingido por trás. Houve a decapitação de uma vítima. O Gilmar tinha 1,98 de altura Alguma coisa passou na altura do seu pescoço. Uma guilhotina vinda por trás. Ele (Carli Filho) era o carrasco", afirmou o promotor.
TESTEMUNHA DIZ QUE CARRO DECOLOU (10h45)
Um vídeo com uma testemunha foi apresentado no tribunal. Ela relatou que o veículo de Carli Filho saiu da pista antes de colidir com as vítimas. Perícia apresentou outra versão na tarde de terça-feira. "Veio o laudo e confirmou. Em nenhum momento o laudo foi impugnado, deixou-se para o plenário trazer um assistente técnico para jogar uma nuvem de fumaça". "Se tivesse uma caçamba de detritos no caminho ao invés do carro das vítimas, a culpa seria da caçamba ou da velocidade?", argumenta Balzer
PERÍCIA CONTRATADA (10h35)
O promotor criticou o perito contratado pela família Carli, que questionou o trabalho da Criminalística durante o primeiro dia de julgamento. "Me senti humilhado. Nós não temos pessoas capacitadas? São pessoas contratadas para dizer o que querem", disparou.
"Ele não poderia dirigir. Embriagou-se voluntariamente. Foi advertido. E os senhores querem acreditar que ele acelerou apenas naqueles 550 metros?" questionou, se dirigindo ao júri.
INTENÇÃO OU NÃO? (10h27)
"Ele diz que não saiu para matar, não é essa a questão. Se fosse isso estaríamos diante do dolo direto. A partir do momento que ele fez isso, assumiu o risco", argumentou o promotor.
Na noite de ontem, Carli Filho declarou que não tinha a intenção de matar e na versão da defesa, o carro das vítimas teria cruzado na frente do veículo do ex-deputado. A questão do dolo deve ser o principal embate entre promotoria e defesa. "Essa indiferença traz o dolo eventual", disse Balzer ao se referir aos fatos de Carli Filho dirigir sem CNH e alcoolizado.
BEBIDA (10h19)
"Ninguém obrigou ele beber. Foi advertido por todos no restaurante", afirmou o promotor, lembrando das testemunhas que falaram ao júri nesta terça. Um médico que jantava com Carli Filho ofereceu carona, mas o ex-deputado saltou do carro. Um funcionário do restaurante disse que segurou Carli Filho e também o advertiu.
HISTÓRICO DE MULTAS (10h08)
Promotor mostrou uma lista de multas de uma Land Rover de Carli Filho. A defesa argumenta que o veículo era de outro motorista. Acusação passa vídeo no tribunal como depoimento de motorista, falando que nunca foi multado com aquele veículo.
"E como ele (Carli Filho) agiu? Parou de usar a Land Rover e passou a andar com o carro da mãe, o Passat", afirmou o promotor Marcelo Balzer. O Passat foi o veículo utilizado por Carli Filho na noite do acidente. "Como ele agiu?: 'não vai dar nada, se me pegarem eu dou um jeito'", enfatizou o promotor.
PROMOTOR COM A PALAVRA (10h)
O promotor Marcelo Balzer terá 1h30 pela acusação. Ele começou lembrando que a defesa entrou com 34 recursos para impedir julgamento e criticou pedido de perdão. "É política recorrente deste Tribunal pedir perdão como forma de não assumir responsabilidades. Em maio de 2014, alterou-se Código de Trânsito e veio um pedido de perdão virtual. Tentaram dizer que os culpados são as vítimas. Não basta a dor, as vítimas ainda têm que ser culpadas da própria morte", declarou. Na noite desta terça-feira (27), Carli Filho confessou que bebeu, disse que não tinha intenção de matar e pediu perdão às mães das vítimas.
JULGAMENTO RECOMEÇA (9h45)
O julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, que responde por duas mortes no trânsito ocorridas em maio de 2009, em Curitiba, recomeçou no Tribunal do Júri. Neste segundo dia, a expectativa é pelo veredito do juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, que deve sair no final da tarde.
Antes do julgamento, mãe de uma das vítimas, a deputada federal Christiane Yared conversou com imprensa. Ela disse que o momento mais difícil do primeiro dia de julgamento foi quando exibiram fotos do filho Gilmar Rafael Yared, que morreu aos 26 anos no local do acidente.


